‘Fiquei feliz de poder ajudar’, diz PM que amamentou bebê retirado à força da barriga da mãe

Ao ver o bebê, a equipe médica disse que o menino precisava urgentemente ser alimentado. “Eu tenho leite! Eu posso fazer isso”, disse a soldado Pâmela

Manaus – Horas depois de ter sido retirado à força da barriga da mãe, o bebê de oito meses que ficou órfão após o parto forçado, na madrugada desta quinta-feira (19), conheceu um gesto de maternidade. A soldado Pâmela Graziela Serrão Sales, 29, da Polícia Militar (PM) de Itapiranga (a 227 quilômetros a leste de Manaus), foi a responsável pela primeira mamada do recém-nascido e a primeira referência de mãe para o bebê, que a PM ‘batizou’ de ‘Pietro’.

A soldado disse que recebeu, nos braços, o bebê e o levou para o Hospital Miguel Batista de Oliveira, em Itapiranga, para que o recém-nascido recebesse os primeiros atendimentos médicos desde que foi alvo do parto forçado e criminoso.  O caso aconteceu no município de São Sebastião do Uatumã (a 247 quilômetros a leste de Manaus).

Ao ver o bebê, a equipe médica disse que o menino precisava urgentemente ser alimentado. “Eu disse: Eu tenho leite! Eu posso fazer isso”, disse a soldado, acrescentando que ainda tinha produção de leite por ter um filho de 2 anos e 3 meses.

Ao amamentar o bebê, as vidas profissional e pessoal de Pâmela se entrelaçaram. “Fiquei confusa, porque eu sou mãe de três crianças e fiquei triste pela mãe e pelo bebê. Ao mesmo tempo, fiquei feliz de poder ajudar”, disse Pâmela, emocionada.

A PM disse que ‘batizou’ o bebê de Pietro (Foto: Divulgação/ PM)

Enquanto amamentava, Pâmela disse que tentou imaginar o tamanho da dor que sentiu a mãe do menino. Karoline do Canto Silva, 20, foi dopada, assassinada e teve a barriga cortada para que Joelma Keila Santana da Silva, 22, e Alex da Silva Carvalho, 18, levassem o bebê, segundo informou o delegado de Itapiranga, João Cabral. A jovem estava grávida de oito meses.

“Quanta dor aquela mulher deve ter sentido. Deve ter sido horrível. Ao mesmo tempo, ouço as pessoas me chamando de ‘Tia Pam’”, disse a soldado ao relembrar das primeiras horas do dia.

A soldado acrescentou que, pelo fato ter acontecido em uma cidade pequena, onde muitos se conhecem, as notícias do homicídio e de que ela foi a primeira a amamentar o bebê se espalharam rapidamente. Ela disse que não está conseguindo acompanhar a quantidade notificações nas redes sociais que recebe pessoas que querem ajudar. Segundo a soldado, doações de leite e fraldas estão sendo levadas para a recepção do hospital.

Pâmela afirmou que, entre tristeza e alegria, também sentia raiva quando recordava de Joelma Keila, uma das suspeitas de ter convidado Karoline para lanchar, na noite de quarta-feira (18), e ter colocado um sonífero no suco da jovem grávida, que foi levada para um matagal, onde foi morta. “Ela (Joelma) alegou que o bebê era dela e que não tinha leite para amamentá-lo. Eu fiquei indignada”, disse.

No hospital, a soldado conseguiu ver com mais detalhes o corpo do bebê. Segundo ela, a equipe médica do hospital fez um curativo no umbigo do menino, aplicou glicemia nele e o limpou. O recém-nascido estava amarrado com um pano. Depois de passar horas com o menino, Pâmela disse que o ‘batizou’, informalmente, de ‘Pietro’.

“Era o nome que eu queria dar para o meu caçula”, brincou a soldado. À equipe médica do hospital, Pâmela disse ter se prontificado para ajudar no que precisasse. De acordo com ela, na tarde desta quinta-feira (19), familiares devem procurar o bebê no hospital. Nas primeiras horas, depois da morte da mãe do recém-nascido, o menino ficou sob os cuidados de Pâmela e do Conselho Tutelar de Itapiranga.

O caso

Um casal dopou e cortou a barriga de uma jovem grávida para retirar o bebê da barriga da mãe, no interior do Amazonas. O crime ocorreu na madrugada desta quinta-feira  (19) e chocou moradores do município São Sebastião do Uatumã, que tem 16 mil habitantes. A mulher presa disse que cometeu o crime porque queria um filho, segundo o delegado de Itapiranga, para onde o casal fugiu com a criança.

De acordo com a polícia, Karoline do Canto Silva, 20, foi dopada, assassinada e teve a barriga cortada para que Joelma Keila Santana da Silva, 22, e Alex da Silva Carvalho, 18, levassem o bebê, segundo informou o delegado de Itapiranga, João Cabral. A jovem estava grávida de oito meses.

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Crime aconteceu no município de São Sebastião do Uatumã (Arte/ D24am)

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