Gestantes são as que mais perdem leitos, no Amazonas

Segundo o CFM, entre 2010 a maio deste ano, foram 100 leitos obstétricos a menos em todo o Estado. Manaus foi a capital na Região Norte que mais desativou leitos nas internações em todas as especialidades médicas

Manaus – As gestantes foram as que mais perderam leitos nos hospitais do Amazonas, segundo um levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgado na última semana. No período de 2010 a maio deste ano, foram 100 leitos obstétricos a menos em todo o Estado. Manaus foi a capital na Região Norte que mais desativou leitos nas internações em todas as especialidades médicas.

Considerando todos os hospitais, houve uma redução de 126 leitos nas instituições públicas e de 17 nas unidades particulares. Foto: Nilton Fukuda/AE (Arquivo)

A obstetrícia foi a especialidade médica que mais perdeu leitos, no Amazonas. Deixaram de existir, segundo o CFM, 95 leitos cirúrgicos e outras 76 vagas para outras especialidades, além de dois leitos para internação diária em hospital, conforme o levantamento do órgão feito com base no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Considerando todos os hospitais do Estado, houve uma redução de 126 leitos nas instituições públicas e de 17 nas unidades particulares no Estado nos últimos oito anos. No mesmo período, o aumento populacional foi superior a 500 mil pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número de leitos disponíveis por mil habitantes no Amazonas está aquém da orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). O Estado tem, em média, um leito no Sistema Único de Saúde (SUS) a cada mil pessoas. O índice recomendado pela OMS é de três a cinco leitos para cada mil habitantes.

A apuração do CFM mostrou que, na Região Norte, apenas Manaus e Rio Branco perderam leitos nos últimos oito anos. Todas as demais capitais aumentaram as vagas no SUS. Porto Velho (+354), Boa Vista (+243), Palmas (+218), Belém (+159) estão entre as que criaram novos postos de internação, conforme o órgão. Entre os Estados, na Região Norte, foram os paraenses os que mais perderam leitos na rede pública (-773), seguidos dos amazonenses (-126) e acrianos (-79).

A REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) questionou a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) sobre a queda no número e a insuficiência de leitos, mas até o fechamento da página nenhuma resposta foi fornecida.

160 milhões no SUS

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde (MS), os 160 milhões de brasileiros que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) perderam 10% dos leitos públicos desde 2010 (34,2 mil). As redes suplementar e particular aumentaram em 9% (12 mil) o número de unidades no mesmo período.

Ao todo, 21 Estados elevaram o montante de leitos na rede ‘não SUS’ – destinada exclusivamente aos que possuem planos de saúde ou conseguem pagar por uma internação com recursos próprios – até maio de 2018, segundo os dados oficiais. Apenas Rio de Janeiro e Maranhão sofreram decréscimos significativos neste setor: menos 1.172 e 459 leitos, respectivamente.

Tendência mundial

O Ministério da Saúde argumentou ao CFM que a redução do número de leitos hospitalares segue uma “tendência mundial”, que se justifica pelo fortalecimento da atenção ambulatorial ou domiciliar. “Assim como no Brasil, o Reino Unido e o Canadá, que também possuem sistemas universais de saúde, fecharam leitos ao longo das últimas décadas. É preciso destacar, no entanto, que, diferentemente destes países, as políticas de prevenção e promoção à saúde no Brasil não conta com um financiamento adequado”, apontou o presidente do CFM, Carlos Vital.

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