Grito dos Excluídos reúne 2 mil manifestantes no Cacau Pirêra

Melhorias na saúde, segurança e proteção à Amazônia foram alguns dos pedidos dos participantes durante a edição deste ano

Manaus – A 25ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas – Vida em Primeiro Lugar 2019 foi realizada no fim da tarde desta quinta-feira (5), e reuniu cerca de 2 mil pessoas, segundo a Cáritas, na rotatória após a saída da Ponte Jornalista Phelippe Daou, no Cacau Pirêra (a 27 km a sudoeste de Manaus). A manifestação contou com a presença de faixas e cartazes pedindo ao poder público melhorias na saúde, segurança, aos imigrantes e também proteção à Amazônia, além de gritos de ordem.

Em 2019, o Grito dos Excluídos e Excluídas chegou a sua 25ª edição (Foto: Natasha Pinto)

O arcebispo metropolitano de Manaus, Dom Sérgio Castriani, esteve presente em parte do evento e afirmou que o Grito dos Excluídos já se tornou parte do calendário democrático da capital amazonense, onde o povo pode expressar as suas insatisfações com a sociedade.

“Nós fizemos nestes 25 anos de Grito dos Excluídos uma espaço democrático, que é de suma importância para uma sociedade. Hoje você vê tantas pessoas, que muitas vezes foram excluídas, clamando por atenção e lutam por uma cidade. Isso mostra que a Arquidiocese de Manaus está fazendo o seu trabalho para com os manauaras”, comentou.

A participante Vera Souza, 56, da Pastoral da Pessoa Idosa, alega que o poder público se esqueceu da comunidade idosa da capital e do Estado, principalmente quando se trata da saúde voltada à terceira idade. “A sociedade idosa tem sido excluída pelo poder público, principalmente na saúde. Só em nossa pastoral são quase mil idosos que precisam de atendimento e não conseguem. Há idosos que até conseguem marcar uma consulta, mas não conseguem sobreviver para ela. Por isso estou aqui dando o meu grito, fazendo o meu protesto, para que as pessoas olhem mais para seus idosos”, disse.

Houve também quem foi pela primeira vez participar do Grito dos Excluídos, como Marlúcia da Silva, 46, que é dona de casa e estava acompanhada de sua filha Clara, 9. Elas chegaram ao ponto de encontro às 15h e, em pleno Dia da Amazônia, clamaram pela preservação.

“Essa é a minha primeira vez e o que me motivou foi a atual situação da Amazônia. Estou muito emocionada em ver tanta gente que se preocupa com a floresta, dentre outros assuntos que também são muito importantes, como a segurança e a saúde”, explicou Marlúcia.

Já a pequena Clara disse o que precisamos fazer para poder ajudar na preservação da floresta amazônica: “Temos que parar de jogar lixo nos igarapés, não desmatar e não colocar fogo também porque pode matar os animais que vivem lá. Eu gosto muito da natureza e quero muito poder continuar visitando porque eu sei que, se não cuidarmos, ela pode acabar”, completou Clara.

Além de faixas e gritos de ordem, peças foram encenadas na frente do público presente, para exemplificar a realidade de minorias como dependentes químicos e imigrantes. Depois, foram feitas algumas orações e o público seguiu em caminhada para o outro lado da Ponte Phelippe Daou, onde foi feita uma homenagem pelas pessoas que perderam suas vidas pelas minorias e pela proteção da Amazônia.