HPV: mais de 150 mil meninas e meninos não se vacinaram

Segundo a coordenadora estadual do PNI, outros 273 mil meninos e meninas de 9 a 14 anos não estão totalmente imunizados, porque não tomaram a segunda dose da vacinação

Manaus – Mais de 150 mil meninas e meninos, com idade entre 9 e 14 anos, não receberam sequer uma dose da vacina contra o papilomavírus humano (HPV), no Amazonas. A informação é da coordenadora estadual do Programa Nacional de Imunização (PNI), Izabel Nascimento, que revelou, ainda, outros 273 mil que não estão totalmente imunizados, porque não tomaram a segunda dose da vacinação.

Transmitido sexualmente, o vírus causa doenças em mulheres e homens. (Foto: Alex Pazuello/Semcom/Divulgação)

Na avaliação da coordenadora, o surto do sarampo e a forte divulgação para imunização da doença deve interferir na meta de imunizar 90% das crianças e adolescentes contra o HPV.

Duas doses devem ser administradas, em um intervalo de seis meses, para que a vacinação seja eficaz. Atualmente, entre os meninos, somente 17% estão completamente imunizado. Já entre as garotas, o percentual está em 46%, segundo informou a coordenadora.

“A vacina existe no calendário desde 2014 para as meninas, mas, só em 2017, ou seja, no ano passado, passou a ser oferecida também para os meninos, quando devia ter sido feito concomitantemente, em minha opinião. Isso é um dos fatores que atrapalharam”, justificou ela.

Sem uma campanha definida pelo Ministério da Saúde (MS), a vacina fica disponível, o ano todo, no calendário regular de imunização. Para ampliar a cobertura, Izabel esclarece que ir ao encontro das crianças ainda tem sido a melhor saída.

“Ir às escolas é uma das estratégias, quando vamos às escola é bem produtivo. Ainda tem trabalho com relação ao sarampo. Acredito, sinceramente, que esse ano vai ficar um pouco para trás a vacinação do HPV, por causa do sarampo”, alertou a coordenadora.

“É uma idade muito difícil de se vacinar, porque eles (jovens) não querem receber uma agulhada, mas os pais têm que ter essa consciência e vacinar seus filhos”, reforçou Izabel.

De acordo com o médico mastologista da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), Gerson Mourão, a chance do papilomavírus evoluir para um câncer é menor quando o paciente já foi imunizado. Transmitido sexualmente, o vírus causa graves doenças em mulheres e homens.

O HPV tem diversos tipos de vírus, mas dois (16 e 18) causam cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero, segundo o MS. Eles também são responsáveis por até 90% dos casos de câncer de ânus, 60% dos de câncer de vagina e até 50% dos de câncer vulvar.

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