Igreja inclusiva em Manaus realiza seu primeiro casamento homoafetivo

Como o próprio nome sugere, a igreja levanta a bandeira da inclusão social, entre elas a da comunidade LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros)

Manaus – “Hoje, nós estamos vivendo a evolução da igreja”, afirma o pastor Rafael Montebranco, da igreja evangélica Ministério Inclusivo Avivar, localizada na Avenida Constantino Nery, zona centro-sul da cidade. Como o próprio nome sugere, a igreja levanta a bandeira da inclusão social, entre elas a da comunidade LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).

O pastor relata que as pessoas precisam estar dispostas a entender o assunto e abrir mão daquilo que já está consolidado em suas mentes. “É necessário querer compreender. A nossa intenção não é agredir nenhuma outra denominação, a intenção é incluir as pessoas que sofreram exclusão nas suas igrejas de origem ou que nunca tiveram a oportunidade de exercer a sua fé em Jesus Cristo”, disse.

Lidiane Azevedo, 32, e Tânia Pinheiro, 51, fazem parte do Ministério Inclusivo Avivar e estão noivas há quase quatro meses (Foto: Sandro Pereira)

Montebranco afirma, ainda, que a homoafetividade estável baseada no amor não é condenável, de acordo com a bíblia. “Nós trabalhamos a teologia inclusiva, utilizando as técnicas de interpretação histórico crítica e cristocêntrica para extrair o melhor sentido de toda a bíblia. Aconselhamos e convidamos que as pessoas interessadas venham nos visitar nos cultos para poderem nos conhecer melhor”, explicou.

Segundo o pastor, frequentemente a igreja recebe ataques pelas redes sociais por conta da doutrina que segue. “Algumas vezes, religiosos homofóbicos usam palavras de baixo calão. Mas costumamos excluir essas mensagens e seguir com fé na direção da propagação do amor de Jesus. Nós não batemos de frente com outras denominações, sejam inclusivas ou tradicionais”, relatou.

Conforme Montebranco, a igreja irá realizar o primeiro casamento entre pessoas do mesmo gênero no próximo mês. “O primeiro casamento que iremos fazer será entre duas mulheres. Nós realizamos casamentos entre pessoas do mesmo gênero se elas forem membros da igreja, passando pelo processo de escola de membros, por aconselhamento e acompanhamento”, comentou.

Os cultos da igreja são abertos ao público e os encontros de oração acontecem todas as terças-feiras, às 19h30. A escola de membros é feita aos sábados, às 19h30. E aos domingos são realizados os cultos de avivamento, às 18h30.

Casamento homoafetivo

Lidiane Azevedo, 32, e Tânia Pinheiro, 51, fazem parte do Ministério Inclusivo Avivar e estão noivas há quase quatro meses. Elas são o primeiro casal homoafetivo a casar na igreja. A celebração será no dia 24 de março e elas contam de que forma a inclusão as ajudou nessa decisão.

“Na igreja tradicional, crescemos ouvindo que o homossexualidade é pecado, mas o que Deus abomina na vida de qualquer pessoa são as coisas ruins, a pessoa viver na promiscuidade e não a homoafetividade. Foi no Ministério Inclusivo Avivar que decidimos dar esse passo a frente e casar”, disse Lidiane.

“Nós já frequentamos a igreja tradicional, tanto eu quanto Lidiane, mas lá, a homoafetividade não era aceita nem entendida e tínhamos que abrir mão da nossa sexualidade para viver de acordo com o que é ensinado. A bíblia não condena a homoafetividade e essa interpretação arcaica deve ser revista”, relatou Tânia Pinheiro.