Incêndio atinge barracos de invasão onde PM foi encontrado morto

O corpo do policial militar Paulo Sérgio Portilho foi encontrado no local, na tarde de hoje, horas antes do incêndio começar. Moradores acreditam que os próprios policiais militares atearam fogos em todos os barracos

Da Redação / [email protected]

Local foi onde policiais encontram o corpo de um PM que estava desaparecido há quatro dias (Foto: Carla Albuquerque/Divulgação)

Matéria atualizada às 20h

Manaus – A invasão Buritizal Verde, no Nova Cidade, zona norte de Manaus, local onde o corpo do Policial Militar (PM) Paulo Sérgio Portilho, 34, foi encontrado enterrado, na tarde desta terça-feira (30), foi queimada, logo após o Instituto Médico Legal (IML) ter feito a remoção do cadáver. Moradores suspeitam que o incêndio foi provocado pela polícia em represália a morte do soldado, que estava desaparecido desde a última sexta-feira (26).

As buscas pelo corpo do policial iniciaram ainda pela manhã. No entanto, de acordo com o comandante da PM, coronel David Brandão, ele foi encontrado no início da tarde, por uma cadela farejadora, enterrado e com marcas de agressão física.

De acordo com o coronel, não foram encontradas perfurações de arma branca ou de fogo. “Infelizmente é uma perda para a corporação e agora caberá a Polícia Civil trabalhar para encontrar os responsáveis”, disse.

Além do comandante da PM, o secretário de Segurança do Amazonas, Sérgio Fontes, também esteve no local junto com delegados da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e da Secretaria Executiva-Adjunta de Operações Especiais (Seaop), além de inúmeros policiais militares de várias cicons e do Batalhão de Policiamento Especializado (CPE).

Repórteres tentaram conversar com o secretário Sérgio Fontes, mas ele não quis atender a imprensa. Minutos após o carro do secretário deixar o local, moradores identificaram que os barracos começaram a pegar fogo. O fogo começou, segundo os comunitários na área onde o corpo do policial foi encontrado.

Durante a operação, um homem identificado como Pedro Albuquerque e Priscila Santos Cavalcante foram detidos e levados para a sede da DEHS, para prestar esclarecimentos. De acordo com a polícia, eles moravam em um barraco próximo de onde o corpo foi encontrado.

 

Ordem era desocupar

De acordo com a moradora Lana Pereira, por volta das 13h30, policiais falaram com os moradores e orientados para que saíssem dos barracos. “Eles mandaram que todos nós saíssemos. Ninguém deveria ficar nas casas. A gente pensou que era somente para fazer buscas, por isso não tiramos nada. Nunca iríamos imaginar que isso iria acontecer”, disse.

O mesmo comentário foi feito pelo vendedor ambulante Josias Magalhães, 40. Segundo ele, se foi a PM que provocou o incêndio, penalizaram famílias que não tinha nenhum envolvimento no crime que vitimou o policial. “Aqui moravam, sim, pais e mães de família. Se morávamos aqui é porque não tínhamos outra opção. Agora, não é justo a gente pagar por uma coisa que não fizemos. Eu perdi tudo”, lamentou.

O vigilante Genilson Ferreira, 41, disse que estava dentro do barraco onde morava, e filmou o momento em que as casas começaram a pegar fogo. “Não tem outra explicação. Esse fogo todo não começou do nada. Deveriam ao menos terem nos avisado para que pudéssemos retirar nossas coisas. Tudo o que tínhamos queimou”, falou ele.

O fogo que começou por volta das 17h30 destruiu inúmeros barracos. Somente cerca de uma hora depois do inicio do fogaréu, uma viatura do Corpo de Bombeiros (CB) chegou ao local. O trabalho de contenção do incêndio foi monitorado pelos policiais militares, que cercavam o local.

Profissionais da imprensa que trabalhavam cobrindo o caso também foram ameaçados. Policiais que estavam próximo a cova onde o corpo do policial foi enterrado ameaçaram atirar caso repórteres e fotojornalistas se aproximassem do local.

Por meio da assessoria de imprensa o secretário de segurança, Sérgio Fontes fez a seguinte declaração: “Um atentado contra a vida de um policial fere o estado democrático de direito e não será tolerado”, disse Fontes.

 

OAB lamenta

O membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem de Advogados do Brasil (OAB), Glen Wilde do Lago Freitas, lamentou a morte do policial, mas disse que caso o incêndio tenha sido provocado pelos policiais, eles devem ser responsabilizados tanto quanto aqueles que assassinado o soldado.

“Se isso realmente ocorreu é um absurdo. A polícia tem o dever de prender aqueles que realmente tem a ver com a morte do colega e não tentar fazer justiça com as próprias nãos”, disse.

Veja momento do incêndio:

 

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