Indústrias do PIM são confiscadas sobre eventual estoque ou produção de oxigênio

A medida visa garantir a assistência de pacientes, após as principais fornecedoras do insumo não suportarem a demanda das redes pública e privada do Estado

Manaus – Dezoito indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM) serão confiscadas sobre o eventual estoque ou produção de oxigênio. A medida foi tomada pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), nesta quinta-feira (14), após as principais fornecedoras do insumo não suportarem a demanda das redes pública e privada do Estado, que passou a ser cinco vezes maior nos últimos 15 dias. A requisição está prevista na Constituição Federal e na Lei nº 8.080/1990, a Lei do SUS.

A ação visa atender a alta demanda ocasionada pelas internações de pacientes com o novo coronavírus. As requisições foram encaminhadas para as empresas Gree Eletric, Moto Honda, LG Eletronics, Yahama Motor, Electrolux, TPV, Whirlpool, Sodecia da Amazônia, Denso Industrial da Amazônia, Caloi, Flextronics International, Semp TCL, Ventisol, Carrier, Daikin, Samsung e Cometais.

Dezoito indústrias do PIM serão confiscadas sobre o eventual estoque ou produção de oxigênio (Foto: Jair Araújo / Arquivo / GDC)

A requisição de um estabelecimento privado é um ato administrativo previsto na Constituição Federal e na Lei nº 8.080/1990, a Lei do SUS. O confisco é um ato administrativo unilateral tomado pela autoridade competente diante de um perigo público iminente. Previsto tanto na Constituição quanto na Lei do SUS, o dispositivo prevê a requisição de bens privados, móveis e imóveis, inclusive serviços, indenizando posteriormente.

Operação conjunta

Para suprir tanto os hospitais públicos quanto os hospitais privados, as fornecedoras White Martins, Carbox e Nitron precisavam entregar 76.500 metros cúbicos (m³) diariamente. No entanto, a capacidade de entrega das empresas tem sido somente de 28.200 m³/dia.

Para sanar o déficit de 48.300m³ diários, o governo estadual e o Ministério da Saúde iniciaram a execução da operação Oxigênio para abastecer os hospitais do Amazonas com o gás, após disparar os índices de consumo com o aumento de casos de Covid-19.

De acordo com o governador Wilson Lima, o plano começou a ser executado após as principais fornecedoras do insumo não suportarem a demanda das redes pública e privada do Estado, que passou a ser cinco vezes maior nos últimos 15 dias.

A logística da operação prevê também rota terrestre com o insumo até Belém, saindo de Fortaleza, para chegar a Manaus por meio de aviões. Para atender com urgência as redes, o transporte terrestre e fluvial, que seria o procedimento mais comum, foi descartado.