‘João Branco fez sua vingança pessoal. Matou o delegado com frieza’, diz acusação

Para o promotor Geber Mafra, ‘João Branco’ alimentou a sede de matar o delegado Oscar Cardoso, assassinado em março de 2014. Outros três são réus no julgamento

Manaus – “‘João Branco’ fez sua vingança pessoal. Matou o delegado com frieza”. As palavras são do promotor Geber Mafra, do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPEAM), ao se referir ao narcotraficante João Pinto Carioca, durante julgamento dos quatro réus, envolvidos no assassinato do delegado da Polícia Civil (PC) Oscar Cardoso, ocorrido no dia 9 de março de 2014.

’João Branco’ participará da sessão por videoconferência. (Foto: Jair Araújo/ Arquivo DA)

O julgamento segue, na noite desta sexta-feira (13), na parte de debate, com os quatro membros do MPE, que atuam como promotores de acusação, no caso Oscar Cardoso. O narcotraficante ‘João Branco’ acompanha tudo por videoconferência.

Para o promotor Geber Mafra, ‘João Branco’ alimentou a sede de matar o delegado Oscar Cardoso, por acreditar que o mesmo havia mandado sequestrar, torturar, estuprar e extorquir a mulher do narcotraficante. “Esse ato de vingança. Esse ato frio que se espalhou pelos outros réus, que tem vínculo com ele, é apenas o vínculo do crime”, comentou.

‘João Branco’, Marcos Roberto Miranda da Silva, o ‘Marcos Pará’, Diego Bruno de Souza Moldes, e Messias Maia Sodré foram denunciados pelo MPE’ pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e emprego que recurso) e formação de quadrilha.

De acordo com o promotor, todos os motivos para a morte de Oscar Cardoso foram friamente planejados e ordenados por ‘João Branco’, que, como uma das lideranças da organização criminosa Família do Norte (FDN), tinha domínio sobre os outros envolvidos. “O meio cruel: o primeiro tiro foi de rendição nas pernas. Os demais, para ver a vítima sofrer, atingiram tórax e abdômen. E o último tiro, o de misericórdia, foi na cabeça”. É irrefutável que o recurso que foi utilizado não permitiu defesa à vítima, que não tinha arma nenhuma, mas apenas uma criança no colo”, apontou.

Outro promotor do MPE, Ednaldo Medeiros, disse que, no dia do assassinato do delegado Oscar Cardoso, os cinco ocupantes do carro que chegou na rua onde o delegado estava, no bairro São Francisco, zona sul, eram ‘João Branco’, ‘Marcos Pará’, Messias Sodré, e os dois que morreram no decorrer das investigações, Marcos Sampaio Oliveiras, conhecido como ‘Marquinhos Eletricista’, e Bruno Ferreira de Lima, o ‘Maresia’.

Porém, nenhum dos três réus julgados nesta sexta-feira apontou ‘João Branco’ como o quinto ocupante que estava no carro no dia do assassinato do delegado, que foi executado com 18 tiros. “Nenhum deles aponta o ‘João Branco’, onde fica evidente o domínio que ele tem na facção criminosa. E tanto que, nas mensagens interceptadas, o ‘João Branco’ se identifica como ‘Potência Máxima’, disse.

O debate dos promotores do MPE terminou às 20h40. Foi dada uma pausa, e, na sequência, o advogado de defesa dos réus, Mauricio Neville, tem 2h30, para fazer a defesa dele.

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