Juíza é contra instalação da Depca no Morada do Sol; aposentada alega perigo

A juíza aposentada alega que a área escolhida para atender os suspeitos investigados pela Depca, sendo “abusadores, estupradores de crianças e adolescentes, pedófilos”, coloca em risco a segurança da população

Manaus – A juíza de direito aposentada Alvarina de Almeida Tiant entrou com uma ação popular, em desfavor do governo do Estado, do secretário de Segurança Pública, Louismar Bonates, e da responsável pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Joyce Coelho, em razão da instalação da especializada, onde funcionaria o 16º Distrito Integrado de Polícia (DIP), na Avenida Via Láctea, conjunto Morada do Sol, bairro Aleixo, zona centro-sul da capital.

Nos autos do processo, a juíza aposentada alega que a área escolhida para atender os suspeitos investigados pela Depca, sendo “abusadores, estupradores de crianças e adolescentes, pedófilos”, coloca em risco a segurança da população, visto que o local é cercado de escolas.

“Circulam de carro, a pé ou de ônibus milhares de crianças e adolescentes, sozinhas ou acompanhadas de seus responsáveis, colocando-as severamente em risco de integridade física, sexual”, diz um trecho do processo.

 

Juíza é contra a instalação da especializada, onde funcionaria o 16º DIP, na Avenida Via Láctea (Foto: Arquivo/DA)

No documento, foram anexadas assinaturas colhidas em abaixo-assinado, por conta da destinação do prédio “para outras finalidades”. Para a juíza aposentada, “o desvio de finalidade diz respeito ao atendimento de interesse privado, ou, pelo menos, algum interesse público ainda não evidenciado que coloca em risco crianças e adolescentes da cidade”.

Ainda no processo, Alvarina relata que, por questão de lógica e coerência, os suspeitos investigados pela Depca precisam ser colocados em local distante de creches, escolas e centro educacionais, para que crianças e adolescentes não corram riscos.

Nota

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou, por meio de nota, que a instalação da Depca no novo endereço atende a uma necessidade de ampliação e melhoria no serviço de atendimento, em que será possível implantar novos serviços, como uma sala de atendimento humanizado para crianças e adolescentes vítimas de estupro.

Além da Depca, o prédio também vai abrigar a 16ª Companhia Interativa Comunitária da Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento na região. “Isso significa dizer que, além da comunidade ganhar com o patrulhamento mais intensificado e a presença da Polícia Militar nas redondezas, crianças e adolescentes violentados também ganharão espaço mais qualificado para serem atendidos”, afirmou a SSP, em nota.