Mãe e bebê morrem em maternidade; família denuncia negligência

A dona de casa Ila Arantes Fernandes, 35, e da bebê dela, morreram, na tarde deste sábado (16), após trabalho de parto, na Maternidade Balbina Mestrinho

Manaus – Com gritos de “Queremos Justiça”, familiares e amigos protestaram, na noite deste domingo (17), e cobraram justiça após as mortes da dona de casa Ila Arantes Fernandes, 35, e da bebê dela, após trabalho de parto, na Maternidade Balbina Mestrinho, localizada no bairro Praça 14, zona sul de Manaus, na tarde de sábado (16). O marido de Ila e pai do bebê, o ajudante de pedreiro Fábio Viana Barbosa, 35, denunciou o caso, à Polícia Civil (PC), como negligência médica, após a esposa dele passar mais de 24 horas para receber atendimento na maternidade.

Na noite deste domingo, o grupo se reuniu em frente à residência onde Ila morava com a família, na Rua São Damião, comunidade Parque São Pedro, bairro Tarumã, zona oeste da capital. Ila estava grávida de oito meses e deixa três filhos, um homem, de 19 anos, e duas meninas (uma de 17 e uma criança de 7 anos). O desespero da família começou ainda na noite de quinta-feira (14), após Ila ser levada pela sogra dela, Melita Viana Barbosa, 67, para a Maternidade Balbina Mestrinho, sangrando e sentindo dores no abdômen.

Ila Arantes Fernandes, 35, e da bebê dela, morreram na tarde deste sábado (16) (Foto: Divulgação/Família)

A sogra da vítima contou que esperou por quase 24 horas, da noite de quinta-feira até a tarde de sexta-feira (15), para Ila ser atendida por uma médica. “Por volta de umas 15h de sábado, fizeram a cirurgia dela e tiraram o bebê. Desde quinta-feira, ela sofrendo. No sábado, fizeram a cirurgia, porque eu insisti muito com uma doutora (médica), e ela disse: ‘Olha, nós vamos fazer a cirurgia, mas a criança vai morrer. Tá bom, assim?’ Aí eu disse: ‘poxa, mas eu queria as duas pessoas, a criança e a mãe’. Quando fizeram a cirurgia, a criança foi à óbito e, logo em seguida, foi a mãe”, disse.

Após ser informado das mortes de esposa e filha, Fábio entrou em desespero na recepção da maternidade e foi retirado do local pelos seguranças. Até a noite deste domingo, os corpos de Ila e do bebê estavam em uma funerária, mas devem ser liberados, até a madrugada desta segunda-feira (18), para o velório.

Familiares e amigos de Ila protestaram por justiça na noite deste domingo (17) (Foto: Jucélio Paiva/Divulgação)

Contrariando a informação da família, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou, por meio de nota, que Ila foi internada na maternidade, por volta das 0h12, de sexta-feira (15) e não na quinta, como informou a família dela. Conforme a Susam, a mulher chegou à maternidade queixando-se de dor no baixo ventre e febre de seis dias.

A Susam informou que após ser internada, o quadro de Ila evoluiu com deslocamento prematuro de placenta e, durante cesariana, foi constatada a morte do bebê, por volta das 15h de sábado. Em seguida, conforme a Susam, Ila foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu, morrendo após três paradas cardíacas.

A Susam afirma, em nota, que vai abrir uma sindicância para apurar as circunstâncias do atendimento e as responsabilidades. O caso também foi registrado no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP).