Mais de 52 mil imóveis de Manaus estão em áreas de risco, aponta CPRM

De acordo com o mapeamento do CPRM, houve um aumento no número de áreas de riscos na capital, em consequência do aumento populacional

Manaus – Com a chegada do período chuvoso, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) apresentou, na tarde desta segunda-feira (25), o mapeamento das áreas de riscos de Manaus, aos órgãos competentes. Ao todo, foram identificados 1.600 setores, classificados em quatro graus de riscos, onde foram contabilizados 52.570 imóveis.

O pesquisador em geociência do CPRM Gilmar Honorato destacou que houve um aumento no número de áreas de riscos na capital, em consequência do aumento populacional. Dos 1.600 setores identificados, 634 estão classificados entre os níveis alto (R3) e muito alto (R4), nos quais foram reconhecidos mais de 18 mil imóveis nestas áreas.

As zonas que mais apresentaram áreas perigosas são as norte, com 311 setores, e leste, com 331 setores, ambas com riscos de alagações, deslizamentos e enxurrada. Os bairros com maior número de casos, na zona norte, são o Colônia Terra Nova, Nova Cidade, Cidade Nova, Cidade de Deus e Santa Etelvina. Já na zona leste, os mais problemáticos são o Jorge Teixeira, Mauazinho e Gilberto Mestrinho

“Você chega a ter a cota da cidade com, aproximadamente, 110 metros na região das zonas norte e leste. São as áreas mais altas, então, consequentemente, terão mais problemas com deslizamentos. E, como são cabeceiras de drenagem, quando tem chuva ela volta com mais energia”, explicou o pesquisador.

CPRM apresentou o mapeamento das áreas de riscos de Manaus aos órgãos competentes (Foto: Yago Frota/GDC)

Segundo o secretário da Defesa Civil do município, Cláudio Belém, o número de áreas de riscos em Manaus dobrou, em comparação com o último estudo, realizado em 2012, quando foram mapeados 734 locais.

“A Defesa Civil já trabalha a parte de monitoramento dessas áreas de riscos da cidade e, pelo que vimos, elas dobraram. Então, em cima desses dados, a gente vai definir algumas diretrizes e continuar nosso monitoramento e projetos de prevenção contra essas áreas vulneráveis”, afirmou.

O também pesquisador em geociência do CPRM Elton Rodrigo Andretta apresentou a Carta Geotécnica de Aptidão à Urbanização da Zona de Expansão e da Zona de Baixa Ocupação de Manaus, na qual aponta locais de desocupação e que apresentam riscos. O objetivo é que os órgãos competentes evitem que estas áreas sejam ocupadas de forma inadequadas.

“Nós vemos que o crescimento urbano de Manaus é bem desordenado. Então esse mapeamento da zona de expansão urbana é justamente para evitar (esse crescimento desordenado) e passar informações para a Defesa Civil e Prefeitura de Manaus. A maioria das áreas com mais declividades, além das áreas próximas a igarapés, que não podem ser ocupadas, fica na zona leste. Quando essas áreas são ocupadas, elas sempre geram perigo à população”, destacou.

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