Mais de 650 pessoas com depressão procuraram ajuda nos Caps, neste ano

Dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) apontam o registro do atendimento de 652 casos de depressão divididos em episódios depressivos e transtornos depressivos recorrentes

Manaus – Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), em Manaus, registraram, de janeiro a agosto deste ano, 652 casos de depressão divididos em episódios depressivos e transtornos depressivos recorrentes. Os dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) são baseados nos atendimentos realizados no Centro de Atenção Psicossocial 3 Benjamim Matias Fernandes e no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil Leste.

De acordo com os dados da secretaria, 542 dos casos registrados correspondem a episódios depressivos, sendo eles divididos em leve, moderado, grave ou não especificado. Os outros 110 casos, correspondem a transtornos depressivos recorrentes, sendo eles divididos também em leve, moderado e grave sem sintomas psicóticos.

Município conta com serviços dentro da rede de atenção psicossocial (Foto: Reinaldo Okita/Arquivo)

Nayandra Souza, psicóloga do CAP Benjamim Matias Fernandes, esclarece que a depressão pode ocorrer em qualquer pessoa, independentemente de gênero, sexo ou questão social. “Todos estamos a mercê de passar por uma situação como esta, de passar pela depressão. É claro que temos que diferenciar tristeza de depressão”.

Segundo a profissional, a tristeza é muito comum por eventos do cotidiano como uma perda ou fim de relacionamento, por exemplo. “Para falar de depressão, precisamos de outros sintomas correlatos a isso, como questão genética, quando tem um histórico da doença na família e a questão biopsicossocial, que não está ligado a saúde mental, mas está ligada a saúde física, biológica ou questão sociail, fatores esses que podem corroborar para um quadro de depressão”, disse.

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A psicóloga destaca que a depressão pode ser leve, moderada e grave, e que cada uma delas possui uma forma específica para ser trabalhada. A leve, é quando a tristeza se torna recorrente – mais de duas semanas – e começa a interferir em questões do cotidiano, passa a sentir apatia. Já na moderada, o paciente passa a ter dificuldades de cuidar de si, deixa de praticar atividades que antes desempenhava com frequência. E, por fim, a grave, quando o sofrimento atinge um alto nível de intensidade e a pessoa começa a pensar no suicídio, acha que a vida não vale mais a pena.

Dado: 800 mil pessoas cometem suícídio, por ano, em todo mundo, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde. A depressão é uma das principais causas de suicídio.

“No caso do público juvenil, as mutilações são bem frequentes. A literatura nos mostra que isso se deve, em muitos casos, ao baixo limiar da frustração. Vivemos em um mundo capitalista, com a mídia interferindo na saúde mental. Vivemos em um mundo adoecedor e isso interfere diretamente”, comenta ela, lembrando que, apesar disso, o maior número de casos registrados está entre mulheres e idosos. “No caso dos idosos, eles tendem a se isolar, fazer reflexões sobre a vida e, inclusive, existe um alto índice de suicídio entre eles”.

O site da Organização Pan-Americana da Saúde informa que cerca de 800 mil pessoas, no mundo, morrem por suicídio a cada ano – sendo essa a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

Desamparo, desamor e desvalor entre os principais sintomas

Entre os sintomas mais comuns da depressão estão o sentimento de apatia, perda de energia, constante sensação de sono ou a perda dele e isolamento. “Tem, ainda, o que chamamos de 3 Ds – desamparo, desamor e desvalor. É bom destacar que nenhum desses sintomas é uma questão de escolha, e sim, são acompanhados da depressão. É muito comum as pessoas falarem que é ‘frescura’, o que fez o paciente ficar ainda pior”, salienta a psicóloga Nayandra Souza. Juntamente com a depressão podem surgir, ainda, outros problemas como a ansiedade e também o transtorno de pânico.

Do tratamento, a psicóloga destaca que o município conta com serviços dentro da rede de atenção psicossocial. “As pessoas chegam querendo ser ouvidas. Damos acolhida e passamos a auxiliá-las. Em muitos casos, recebemos pessoas em estágio grave que já tentaram ou pensaram no suicídio. Articulamos atendimento com a emergência psiquiátrica, construímos um projeto terapêutico singular, inserimos em terapias coletivas para que elas saiam dessa solidão e tenham a oportunidade de ouvir a experiência de outras pessoas que já estiveram na mesma situação e conseguiram melhorar”, disse Nayandra.

Além disso, existe a parte medicamentosa receitada pelo psiquiatra.

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