Manaus é destaque em áreas caminháveis

Embora no geral, as cidades brasileiras ainda falham em oferecer espaços caminháveis, Manaus é citada no caso de população na média de pequenas áreas, em estudo internacional

São Paulo – Manaus está entre as cidades brasileiras mais perto da meta de espaços caminháveis, segundo um levantamento internacional sobre espaços caminháveis e e serviços essenciais próximos para seus habitantes. Realizado pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP, em inglês), ele analisou cerca de 1 mil áreas metropolitanas no mundo e mostra que o Brasil está atrás de Bogotá e Lima.

No caso de densidade ponderada (número de habitantes calculado na média de pequenos recortes de área), os resultados mais próximos da meta de (18 mil pessoas por quilômetro quadrado) são de Rio (18, 6 mil), Fortaleza (17,9 mil) e Recife (17,6), entre as grandes metrópoles. Entre as cidades de mais de 500 mil habitantes, a lista também inclui Belém (18,6 mil), Maceió (18 mil), Manaus (18 mil) e a Baixada Santista (17,5 mil).

Estudo avalia deslocamento a pé para acessar serviços (Foto: Alexandre Fonseca/Seminf)

O estudo mostra que, no geral, as cidades brasileiras ainda falham em oferecer espaços caminháveis . Realizado pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP, em inglês), ele analisou cerca de 1 mil áreas metropolitanas no mundo.

“A pandemia ajudou a colocar luz sobre a importância dos espaços públicos e da mobilidade a pé e de bicicleta”, destaca, a urbanista Danielle Hope, gerente de Mobilidade Ativa da organização. “A mobilidade a pé nem é vista como mobilidade pela maioria das pessoas, embora qualquer deslocamento comece e termine a pé”.

O estudo é focado em quatro fatores determinantes para haver o que se chama de boa caminhabilidade: serviços essenciais (de saúde e educação básica) a até 1 quilômetro de distância; espaços car free (como calçadões, parques e praças) a, no máximo, 100 metros de casa; número de quadras por quilômetro quadrado; e densidade ponderada.

Esses dados se baseiam na ideia de que áreas com serviços próximos exigem menores deslocamentos e, com mais densidade, maior é o número de pessoas com acesso a essas oportunidades. Além disso, como destaca Danielle, quadras mais curtas facilitam os deslocamentos, reduzindo desvios, e espaços car free são formas de promover o lazer para todos com maior segurança.

Das metrópoles com 2,5 milhões de habitantes ou mais, por exemplo, entre as brasileiras, apenas Fortaleza e Recife têm ao menos 60% da população morando a até 1 quilômetro de distância de escolas e espaços de saúde. Em São Paulo, esse número abrange apenas 47% da população, quase metade da líder do ranking, Katmandu (com 90%), no Nepal.