Manaus não tem condições de receber mais refugiados, diz secretário

Capital recebeu mais 180 venezuelanos, nesta terça-feira (4), vindos de Boa Vista (RR). Ao todo, já são 533 refugiados na cidade

Manaus – Com os 180 venezuelanos que foram abrigados, na tarde desta terça-feira (4), no Abrigo do Coroado, na zona leste da capital, Manaus atinge o limite de acolhimento de imigrantes, contando com 533 venezuelanos, de acordo com o titular da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), Dante Souza. “Nós estamos no limite. Hoje, não temos como receber mais [imigrantes]. Precisaríamos de um suporte bem maior do Governo Federal. Dentro do que é possível fazer, estamos caminhando”, afirmou o secretário.

A capacidade do Abrigo do Coroado é de 200 pessoas. O perfil de abrigados na unidade habitacional é o de casais com filhos. A meta da ação é a de que cada venezuelano permaneça três meses no abrigo, passando por um processo de qualificação, para que possa ser inserido no mercado de trabalho.

Os abrigados terão, por exemplo, acesso a cursos de Língua Portuguesa. “Aqui nós temos universitários, [e venezuelanos] de níveis médio e fundamental. As famílias que vêm para esse abrigo, especificamente, estão qualificadas para o mercado”, relatou o secretário.

Ainda conforme Dante Souza, o objetivo da ação, no Abrigo do Coroado, é o de que os abrigados voltem ao país de origem. Há a esperança de que a crise político-econômica da Venezuela mude. “Nós acreditamos que essa [crise] é uma situação transitória. A nossa esperança é a de que o governo daquele país mude. E, quando mudar, eles [os venezuelanos] vão querer voltar para lá. E, enquanto eles não voltam, o plano é inseri-los no mercado de trabalho para que eles possam, também, trazer benefícios à cidade de Manaus”, afirmou Dante.

Conforme o Ministério Público Federal (MPF), cerca de 350 venezuelanos adentram, diariamente, o estado do Amazonas. De acordo com o secretário, ainda não há uma contabilização do número de venezuelanos que já foram inseridos no mercado de trabalho.

O secretário acrescentou, também, que o aporte oferecido pelo Governo Federal é de R$ 400 por acolhido. Além da Semmasdh, a Secretaria Municipal do Trabalho, Emprego e Desenvolvimento (Semtrad), a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e a Secretaria Municipal de Administração, Planejamento e Gestão (Semad) estão envolvidas na ação do Abrigo do Coroado.

Dante disse, ainda, que todos os imigrantes chegaram à cidade já vacinados. “Eles já passaram por um processo de triagem e estão preparados para transitar por Manaus com tranquilidade. O povo manauara pode ficar tranquilo com relação a isso”, garantiu.

Ainda segundo o secretário, Manaus conta com mais dois abrigos: um na Comunidade Alfredo Nascimento, no bairro Cidade de Deus, zona norte da capital, que conta com 70 apartamentos; e uma casa no Tarumã, na zona oeste.

Sobreviventes de uma crise

A barbeira Yelitza Ricardo, 34, que passou cinco meses em Boa Vista (RR), desembarcou em Manaus com um objetivo: conseguir emprego. “Em Boa Vista não tem oportunidades. Eu não consegui nada de trabalho, então optei por vir para cá, para Manaus”, relatou.

A imigrante disse que a situação na Venezuela é caótica. “Não se pode mais viver lá. Não tem segurança, medicamentos, comida, nada e nem ninguém. É um país, agora, em ruínas. Não é mais a nação de antes”, contou.

Yelitza pediu para que o Brasil não feche as portas aos venezuelanos. “Muita gente boa, que quer trabalhar [está vindo]. Então, se vocês não nos dão a oportunidade, como vamos trabalhar? Como não querem um venezuelano pedindo [esmola] e catando comida do lixo se o País não abre a porta para nós?”, desabafou.

Da chegada em Manaus

Os 180 venezuelanos que desembarcaram na capital, na tarde desta terça-feira (4), vieram de Boa Vista (RR) por meio do processo de interiorização do Governo Federal, que tem como objetivo diminuir o excesso de imigrantes que estão em Roraima. Na última semana, Manaus recebeu 65 venezuelanos.

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