Manaus tem quase 200 casos de caxumba, aponta Semsa

Número de casos registrados em sete meses é praticamente igual ao total de ocorrências em todo ano passado. Doença pode levar à morte e é previnida com a mesma vacina do sarampo

Manaus – Não é só o sarampo que apresenta uma quantidade atípica de casos, em Manaus. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o ano nem terminou e os casos de caxumba, na capital, quase se igualaram aos de todo ano passado. Até julho, 194 pessoas contraíram a doença na capital amazonense, enquanto que, em 2017, no acumulado do ano, 206 casos foram notificados.

Vacina que protege contra a caxumba é a mesma usada contra o sarampo. (Foto: Reinaldo Okita/Arquivo)

A notificação dos casos de caxumba não é obrigatória, segundo o Ministério da Saúde (MS), e, por isso, os números podem ser ainda maiores, devido a queda da cobertura vacinal. A vacina tríplice viral, que protege contra a caxumba, rubéola e sarampo, está disponível para crianças de 6 meses a 5 anos, em todos os postos de saúde da capital, e será intensificada através de campanha nacional que inicia, na segunda-feira (6).

A REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) ouviu especialistas que tiraram dúvidas e mitos sobre a caxumba.

Ocasionada por um vírus, a caxumba ataca as glândulas salivares e causa um inchaço característico entre a mandíbula e a orelha, conforme explicou o médico infectologista, da Clínica de Infectologia de Manaus, Marcus Lacerda.

Contagiosa, a doença é transmitida por gotículas de saliva expelidas no ar ou pelo contato direto com a saliva de pessoas infectadas.

“Quando pega o vírus, geralmente pelo ar mesmo, essa glândula começa a aumentar. Esse ângulo começa a aumentar de volume, no início sem dor e passa para outro dia com dor. O contágio com o infectado pode ocorrer até um mês antes dos primeiros sintomas”, disse Lacerda.

Sem tratamento específico, a duração dos efeitos da doença pode durar até 15 dias, mas outras complicações podem fazer a doença evoluir para o pâncreas, sistema nervoso e até causar a morte.

“O mais importante é o seguinte: existem duas complicações, que não são muito comuns, mas tem que ficar atento. O primeiro é a meningite pela caxumba, então, se a criança está vomitando muito e se queixando de dor de cabeça é importante procurar o quanto antes uma unidade médica”, disse o especialista.

A caxumba pode descer?

A segunda complicação possível, segundo o médico, é a infecção do testículo. O conhecimento popular versa sobre a possibilidade de a caxumba descer para os ovários masculinos. Segundo ele, a história é parcialmente um mito.

“As pessoas dizem que se não ficar de repouso desce para o ‘saco’. Isso está mais para um mito da doença. O fato é que um percentual pequeno dos homens pode ter uma complicação nos testículos que leva a inflamação e até esterilidade. Não no caso das mulheres, que também pode acontecer, mas é muito raro”, contou.

Nas mulheres, os ovários e as glândulas mamárias podem ter a inflamação devido a caxumba, a complicação também pode atingir as glândulas mamárias dos homens, conforme afirmou o infectologista.

O isolamento e repouso, de acordo com Marcus, estão ligados a recomendação do isolamento social, para não espalhar o vírus.

Me vacinei e peguei caxumba

Com o aumento da imunização através da vacina tríplice viral, é comum que uma espécie de caxumba enfraquecida seja registrada no Estado. De acordo com o médico infectologista, 2% dos vacinados registram esse tipo de doença algumas semanas após a vacinação.

“A vacina é um vírus mais fraco. Até 2% pode ter, como se fosse uma caxumba, em um quadro mais leve. Aumenta pouco a glândula, sem febre. Algumas pessoas tem procura do o meu consultório com os sintomas, e quando perguntamos o paciente conta que se vacinou duas semanas antes”, afirmou.

Já quem contraiu a doença quando criança, de acordo com o médico, está protegido por toda vida. “A vacina não tem 100% de eficácia, nenhuma tem, mas contrair a doença deixa o organismo 100% protegido de outra ocorrência”, relembrou o especialista.

Vírus do sarampo no Estado é o mesmo que circula na Venezuela

O Ministério da Saúde (MS) divulgou, em nota, que o Brasil já possui mais de mil casos confirmados de sarampo. O Amazonas lidera o ranking com 742 confirmações, seguido de Roraima, com 280. Ainda de acordo com o órgão, ficou comprovado por meio do genótipo do vírus, que ele é o mesmo que circula na Venezuela atualmente. Ainda no Estado, 4.470 casos estão sob análise.

Desde 1999, o Brasil não registrava um número significativo de casos. Naquele ano, foram diagnosticadas 908 pessoas com o vírus. Em 2014, 876 casos foram confirmados. No ano de 2016, o Brasil ganhou certificado de eliminação do sarampo pela Organização Pan-Americana de Saúde.

“Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo, e atualmente empreende esforços para manter o certificado, interromper a transmissão dos surtos e impedir que se estabeleça a transmissão sustentada. Para ser considerada transmissão sustentada, seria preciso a ocorrência do mesmo surto por mais de 12 meses”, explica a nota.

Segundo o MS, depois do Amazonas e Roraima, o Rio de Janeiro apresentou 14 confirmações de pessoas com o vírus, seguido do Rio Grande do Sul (13), Pará (2), São Paulo (1) e Rondônia (1).

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