MAP cancela voos e passageiros ficam sem resposta; companhia é convocada pela ALE

Desde que a companhia aérea foi vendida para a Passaredo, em agosto deste ano, inúmeros voos foram cancelados e até mesmo suspensos para diversos municípios do Amazonas

Manaus – Quando a Passaredo comprou a MAP Linhas Aéreas, em agosto deste ano, a ‘promessa’ foi que a empresa manteria não apenas a marca amazonense, mas também os 14 destinos nos quais ela operava entre os estados do Amazonas e do Pará. Porém, nas últimas semanas o cenário mudou completamente, quando inúmeros voos passaram a ser cancelados, deixando uma série de passageiros sem resposta e com problemas de deslocamento para o interior.

O cirurgião-dentista Manuel Victor Almeida, 31, coordenador municipal de saúde bucal no município de Nhamundá (a 383 quilômetros a leste de Manaus), é um dos passageiros que não está conseguindo retornar ao seu local de trabalho, por conta dos constantes cancelamentos. Ele, que tinha passagem marcada para o último dia 17 com destino a Parintins, teve seu voo remarcado três vezes e cancelado definitivamente às vésperas da última remarcação. “Eles encaminharam um e-mail sem justificativas ou explicações sólidas. Tentar falar com a empresa é impossível. Esperamos 50 minutos na linha e ninguém atende. Já fui duas vezes no aeroporto, em Manaus, e nunca tem ninguém para informar nada”, conta ele.

Manuel é usuário da MAP desde 2013, quando ainda havia uma concorrência entre a companhia aérea local e a Azul Linhas Aéreas no deslocamento entre a capital e Parintins (a 369 quilômetros a leste de Manaus). Após o fechamento do Aeroporto Júlio Belém, em Parintins, a MAP passou a operar sozinha, pois a Azul saiu da concorrência. “Os preços subiram, o serviço de bordo foi reduzido e a qualidade do atendimento de balcão e call center pioraram”, lembra ele, ressaltando que chegou a pagar R$ 800, por trecho.

Para chegar em Nhamundá, que não possui pista de aterrissagem, o passageiro desembarca em Parintins e de lá, utiliza um lancha para deslocamento até o destino final.

A MAP foi vendida para a Passaredo, em agosto deste ano (Foto: Divulgação)

Ainda em agosto deste ano, a Passaredo afirmou ter planos de adquirir pelo menos mais dois novos aviões até o final de 2019, além do que já estava previsto chegar nas semanas seguintes e que deveria atender a um contrato de prestação de serviço para a Petrobras. “Agora, para somar mais eventos ruins, após conseguirem slots para operar em Guarulhos (SP), a empresa foi arrendada pela Passaredo e enviou suas aeronaves para São Paulo, desassistindo os trechos que operavam aqui no Norte. Cancelaram rotas definitivamente e as que ainda simulam ter, cancelam os voos todos os dias”, contou.

Nesta quarta-feira (20), Manuel conseguiu contato com a Passaredo após uma hora e dez de espera no telefone. O atendente, chamado ‘David’, ofereceu a opção de remarcar o voo ou ressarcimento do valor. O atendeu disse, ainda, que não havia garantias de que o voo não seria cancelado, pois “todos os outros anteriores já haviam sido”. “Ele não quis ouvir as minhas reclamações e pediu para que eu enviasse um e-mail para a empresa com as queixas”.

Transtorno

Outro usuário da MAP Linhas Aéreas, é o médico Stéfano dos Santos Adorno, 36, que também trabalha em Nhamundá. “Comprei a passagem normalmente, bem cara, inclusive, embarquei para Nhamundá, mas quando cheguei na cidade recebi um e-mail cancelando minha volta para Manaus”, relatou ele, que faz voos mensais entre a capital e a cidade do interior. “No e-mail, eles cancelam o voo e não dão previsão para remarcação. Cancelam e pronto! Você tenta ligar no call center e ninguém atende. Esperei uma hora e nada. Até que eu consegui falar e ainda fui vítima de ironia, dizendo que eu tinha sorte de ter uma vaga em um voo de volta”, contou.

Porém, às vésperas do embarque para Manaus o voo foi novamente cancelado e sem motivos aparentes. “Tentei ligar novamente e não consegui falar, sendo que eu tinha inúmeros pacientes em Manaus para atender, tudo um caos. E como cancelaram todos os voos, as lanchas oriundas de Parintins estavam lotadas. A companhia não tem compromisso com os clientes, esperamos horas no telefone para sermos atendidos e quando atendem são ríspidos. Se você tem compromisso, você perde. Eles causam um transtorno e não estão nem aí. Cancelam e você que se vire”, desabafou.

Conforme Stéfano, os cancelamentos estão sendo frequentes e durante o mês de novembro todos os voos estão quase 100% cancelados. “Posso até pedir o reembolso, mas e o meu prejuízo? Cirurgias que tive que remarcar, deixei de dar assistência para pacientes que estão esperando por consulta há um mês, paguei hotel em Parintins, gastei com lancha para vir para Manaus. Enfim, atrapalha a minha vida, a vida do município e de todo mundo que precisa das aeronaves”, finalizou.

Convocação

Diante da série de reclamações, o presidente da Comissão de Transporte, Trânsito e Mobilidade (CTTM) da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE), deputado Roberto Cidade, apresentou um requerimento em que solicita a presença dos novos representantes da MAP Linhas Aéreas para explicar sobre o cancelamento de voos em diversos municípios do Estado.

A Cessão de Tempo acontecerá na próxima quarta-feira (27), às 10h, no plenário da Casa, onde os representantes serão questionados pelos deputados estaduais e darão as explicações cabíveis sobre o assunto. Até o momento, pelo menos cinco municípios amazonenses foram afetados com a decisão: Carauari, Coari, Eirunepé, Tefé e Parintins.

Na justificativa, a empresa alegou mudança na malha viária e problemas operacionais nos aeroportos.

Informações

Na última terça-feira (19), a equipe de reportagem do GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) entrou em contato com a assessoria de imprensa da Passaredo, em São Paulo, que passou a atender as demandas desde a venda da MAP. Por meio de nota, a reportagem foi informada que a demanda havia sido encaminhada à companhia e que até às 17h30, ainda da terça, a assessoria não tinha obtido resposta. “Assim que tivermos retorno, informaremos”, respondeu.

Manuel embarcará para Parintins, de barco, nesta sexta-feira (22), e Stéfano chegou na capital, nesta quarta-feira (21), por meio de lancha. “Perdi trabalho a semana inteira”, enfatizou o cirurgião-dentista.

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