MAP sofre pressão e se pronuncia após vários cancelamentos de voos no AM

A empresa já deixou de atender vários municípios do interior do Estado, após a venda da MAP para a paulista PASSAREDO

Manaus – A MAP Linhas Aéreas vem a público, por meio de nota oficial enviada a imprensa na tarde desta sexta-feira (22) esclarecer as ações tomadas pela empresa em relação as suspensões de voos para alguns aeródromos do Amazonas e Pará. Na quinta-feira (21), o GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO publicou matéria exclusiva, onde passageiros denunciam o descaso da empresa, com recorrentes cancelamentos de voos em municípios do interior do Estado.

A MAP possuía 250 funcionários no Amazonas e 30% já foram demitidos desde que houve a fusão das duas empresas, o equivalente a 80 pessoas. A previsão, é que novas demissões aconteçam na próxima semana (Foto: Divulgação)

Na nota, a MAP confirma que suspendeu na última quarta-feira (20) as operações nos aeroportos de Eirunepé e Coari – ambos do estado do Amazonas – e em Porto Trombetas (PA), devido a restrições na infraestrutura aeroportuária, segundo a empresa. “Ocorrendo a regularização, a MAP irá retomar normalmente as operações”, explica.

A MAP justifica que a classificação do aeródromo em Eirunepé não é compatível com o tipo de aeronave operada pela empresa e que a ANAC solicitou a certificação aeroportuária, a qual está sob a responsabilidade da prefeitura do município.

“O aeroporto não dispõe de informação meteorológica para atendimento ao requisito ANAC, além de problemas relacionados a cerca patrimonial, o que facilita a presença de animais e pessoas, transitando na pista de pouso e decolagem, colocando em risco as operações”, conclui a nota.

A empresa lamenta que a substituição da frota da MAP não tenha ocorrido no tempo estimado pela atual gestão da empresa (Passaredo), mas pontua que, muito em breve, todas as operações da empresa no Norte do Brasil estarão regularizadas.

A MAP informa ainda que todos os passageiros prejudicados pela suspensão dos voos estão sendo tratados nos termos das resoluções da ANAC. No entanto, a nota enviada pela MAP não inclui os casos citados pelo GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO, sobre cancelamentos recorrentes de voos no município de Parintins.

Pressão

Após pressão de parte da bancada do Amazonas no Congresso Nacional, de acionar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), para interferir no apagão aéreo que o interior do Amazonas vive por conta da retirada de voos operados pela MAP Linhas Aéreas, o diretor-executivo da Passaredo Linhas Aéreas, Eduardo Busch, entrou em contato com o deputado federal Sidney Leite (PSD) e prometeu que, neste fim de semana, a companhia aérea vai enviar uma aeronave modelo ATR para atender a região.

O senador Omar Aziz (PSD) já havia acionado o Cade para que o negócio entre as duas companhias aéreas fosse revisto.

A Passaredo é uma empresa paulista que adquiriu a MAP numa transação comercial em agosto deste ano, tendo como pano de fundo os slots (vagas) no Aeroporto de Congonhas (SP), em que tanto a companhia paulista quando a MAP receberam vagas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar a partir desta unidade aeroportuária.

Para Sidney Leite, que é membro da Frente Parlamentar em Defesa da Aviação, a decisão da Anac em dividir os slots “foi, no mínimo, inconsequente”.

O deputado vem denunciando esse descaso aéreo no interior do Estado, onde a retirada dos nove voos da MAP pode prejudicar mais de 500 mil pessoas que dependem desse meio de transporte para um deslocamento mais rápido, haja vista que uma viagem de barco de diversos municípios do interior para a capital demora vários dias.

Além do desmonte da oferta de voos da empresa, o deputado Sidney Leite recebeu denúncias de que a Passaredo/MAP estaria demitindo funcionários, mas sem pagar suas verbas rescisórias, além de não estar recolhendo os impostos trabalhistas, como INSS e FGTS dos funcionários que ainda restam no grupo aéreo.

Conforme denúncia que chegou ao deputado, a MAP possuía 250 funcionários no Amazonas e 30% já foram demitidos desde que houve a fusão das duas empresas, o equivalente a 80 pessoas. A previsão, é que novas demissões aconteçam na próxima semana.

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