Maternidade Balbina Mestrinho está com superlotação de recém-nascidos

Falta de leitos e improvisos na acomodação de bebês, até para realizar cirurgias, foram verificados, nesta terça-feira (26), em fiscalização de uma comissão do Cremam

Manaus – Superlotação de recém-nascidos e adequação de bebês em lugares improvisados, entre outras irregularidades, foram constatadas na Maternidade Balbina Mestrinho, localizada na Rua Duque de Caxias, 1.142, bairro Praça 14, na zona sul da capital, em visita do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam), na manhã desta terça-feira (26).

A fiscalização, segundo o conselho de classe, ocorreu em caráter emergencial. O presidente do Cremam, José Bernardes Sobrinho, constatou, na inspeção, a superlotação de recém-nascidos de neonatologia. “Antes, a maternidade possuía 15 leitos de UTI neo, mas o Ministério Público do Estado fechou cinco, pois estavam em condições inadequadas. O problema só foi transferido porque a maternidade foi obrigada a montar verdadeiras UTIs nos centros cirúrgicos”, informou.

Em menos de um mês, a Maternidade Balbina Mestrinho é denunciada por deficiências no atendimento (Foto: Eraldo Lopes/GDC)

O presidente do Creman disse ainda que “no momento, funcionam três salas cirúrgicas, sendo uma delas ocupada por quatro recém-nascidos, que necessitam de cuidados especiais e a outra ocupada com um recém- nascido em isolamento respiratório com suspeita de H1N1”, informou. Sobrinho destacou que, ainda ontem pela manhã, não tinha nenhuma sala livre e, por isso, para que fosse possível realizar cirurgia, houve a decisão de deixar um recém-nascido no berço do pré-parto para desocupar pelo menos uma sala para que fossem realizadas as cirurgias de emergência.

“Porém, ia entrar uma paciente com parto prematuro (32 semanas) e a sala talvez ficasse bloqueada novamente, ficando, portanto, sem nenhuma sala para cirurgia”, acrescentou. “Os recém-nascidos com menos de 28 dias não são recebidos por outros hospitais infantis pois o alegado, nesses casos, é que a referência é a maternidade onde o bebê nasceu”, completou.

De acordo com o presidente do Cremam, será marcada uma reunião com o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) a respeito da grave situação. “Estamos numa fase inicial de doenças respiratórias, com necessidade de internações devido à Síndrome Respiratória Aguda e estes problemas só tendem a agravar e, infelizmente, vidas poderão ser ceifadas” , alertou.

“São necessários novos leitos de Utin ( Unidade de Terapia Intensiva Neonatal) e UCI ( Unidade de Cuidados Intermediários). E, a médio prazo, que sejam construídas novas maternidades, prontos-socorros infantil e, claro, priorizar a saúde”, concluiu.

Outro Caso

No dia 17 de fevereiro, uma mãe e um bebê morreram no procedimento de parto, na Maternidade Balbina Mestrinho, o que causou revolta de familiares, que acusaram a demora no atendimento da mãe. A dona de casa Ila Arantes Fernandes, 35, e a bebê dela passaram mais de 24 horas para receber atendimento na maternidade, segundo os familiares. Na ocasião, a Secretaria de Estado da Saúde (Susam), por meio de nota, negou que houve demora no atendimento.

Susam diz que problema foi herdado da gestão anterior

Na noite desta terça-feira (26), a Susam respondeu às denúncias do Cremam. A Secretaria de Saúde confirmou que há déficit de leitos, mas atribui o problema à gestão anterior. Diz a nota da Susam que “há um déficit de leitos nas maternidades do Amazonas já mostrados pelo novo governo, assim que assumiu há menos de 60 dias.

Para minimizar o problema, a nova gestão da Susam está adotando as seguintes medidas:

– Reativação de 11 leitos de UTI neonatal e quatro de UTI materna na Maternidade Ana Braga.

– Outros 19 leitos da Ana Braga que estavam funcionando de forma precária estão sendo readequados com equipamentos para funcionar em conformidade com as normas exigidas pelo Ministério da Saúde.

– Cinco leitos de UTI pediátrica estão sendo abertos, esta semana, no Hospital e Pronto-Socorro da Zona Norte (Delphina Aziz).

– Dez leitos de UTI adulto foram inaugurados pelo governador Wilson Lima no HPS Zona Norte.

-No Hospital Francisca Mendes, estão sendo reativados três leitos de UTI pós cirúrgica pediátrica e seis leitos de UTI pós-cirúrgica adulta, além de uma sala de cirurgia.

– Além disso, foi firmada parceria com a rede suplementar para a aquisição de leitos adultos e pediátricos em dois hospitais privados de Manaus.

Quanto ao fechamento de cinco leitos de UTI na Maternidade Balbina Mestrinho por determinação do MPE, a informação do CRM não procede. A unidade foi recebida pela atual gestão com dois leitos de Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) bloqueados, por falta de equipamentos, e está trabalhando para reativá-los”, concluiu.