Médico que aparece agredindo grávida em vídeo será afastado; ele já havia sido preso

Ainda de acordo com a secretaria de Saúde, o vídeo foi gravado há nove meses e, na época, a família da vítima não apresentou queixa na Ouvidoria

Manaus – Após repercussão de vídeo onde o médico ginecologista obstetra Armando Andrade Araújo aparece maltratando uma mulher durante um parto, na Maternidade Balbina Mestrinho, bairro Praça 14, zona sul da capital, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), informou, nesta terça-feira (19), que vai pedir o afastamento dele, junto à Procuradoria Geral do Estado (PGE). “Não deixa ele chegar perto. Ele já me ‘malinou’ muito”, diz vítima durante o parto.

O médico Armando Araújo foi preso no dia 26 de fevereiro de 2015, durante a operação ‘Jaleco’, da Polícia Civil (PC), suspeito de fazer parte de uma quadrilha que cobrava para fazer partos de pacientes grávidas em hospitais da rede pública, em Manaus. Na época, Armando foi indiciado pela PC pelos crimes de corrupção passiva e majorada no funcionalismo público, além de formação de quadrilha.

Maternidade Balbina Mestrinho (Foto: Arquivo/DA)

O vídeo viralizou nas redes sociais. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam) informou que abriu uma sindicância para apurar o caso. A Susam disse que o órgão tomou conhecimento do caso por meio da imprensa e, segundo a direção da maternidade, a família não fez denuncia na Ouvidoria à época, mas que o caso aconteceu há cerca de nove meses.

No vídeo divulgado nas redes sociais, uma mulher, que se apresenta como mãe da paciente, pede “pelo amor de Deus”, a outro médico, que Armando Araújo não realize o parto da filha dela, que aparece chorando deitada na cama de um dos leitos da maternidade. A Susam informou, ainda, que o médico é do quadro terceirizado, contratado pelo Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (Igoam).

Denúncia

A Maternidade estadual Balbina Mestrinho, no bairro Praça 14 de Janeiro, tem sido alvo de frequentes denúncias de negligência médica. No último sábado (16), a dona de casa Ila Arantes Fernandes, 35, e a bebê dela, morreram, após um procedimento de parto na maternidade.

A família disse que Ila, que estava grávida de oito meses, procurou a maternidade com dores abdominais e com sangramento, na noite de quinta-feira (14), mas só foi internada por volta das 15h, da última sexta-feira (15). A criança morreu após o trabalho de parto cesário e a mãe morreu uma hora mais tarde, após sofrer três paradas cardiorespiratórias.