Meio milhão de ribeirinhos sofrem com a fome após cheia histórica no AM

O alívio só deve chegar quando as águas baixarem, em julho e agosto

Manaus – Cerca de 520 mil ribeirinhos que vivem isolados às margens dos rios Negro e Solimões, no estado do Amazonas, estão sofrendo com a fome pela falta de sustento ocasionados pela cheias na região. As informação foram divulgadas no site O Globo neste domingo(04).

Anamã teve mais de 1.063 famílias afetadas pela enchente (Foto: Divulgação/ Secom)

De acordo com o site, meio milhão de brasileiros vivem em comunidades isoladas na Amazônia e agora dependem da Defesa Civil e da mobilização de organizações sociais não governamentais. Segundo a publicação, o alívio só deve chegar quando as águas baixarem, em julho e agosto. No momento, os ribeirinhos estão recebendo cestas básicas e “kits Covid-19” (álcool gel a 70%, sabonetes, máscaras, desinfetantes, água sanitária, detergentes e baldes).

A publicação informa ainda que em maio, o Rio Solimões, que a partir de Manaus passa a ser chamado de Amazonas, começou a subir, chegando a 20,83 metros (17/6). E o Negro, que banha a capital amazonense, outros 30,02 metros (16/6). Foram as maiores altas dos últimos 119 anos (Negro) e 49 anos (Solimões), segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM). Famílias que vivem em Santa Luzia, na Ilha do Baixio, e na Ilha da Marchetaria, em Iranduba, ficaram totalmente isoladas.

Além do sofrimento com a cheia histórica na região, os ribeirinhos ainda precisam conviver com o casos de Covid-19 que se alastrou no interior do Estado. No Amazonas, mais de 13 mil pessoas morreram vítima da doença.

Segundo O Globo, como a população ribeirinha vive sem auxílio, algumas comunidades precisaram receber ajuda de missionários americanos. A publicação explica como funciona o programa de solidariedade às vítimas atingidas pelas cheias.

“Nós distribuímos mais de 2.500 cestas básicas e kits de higiene contra a Covid-19 em oito municípios atingidos pela cheia (Manaus, Iranduba, Manacapuru, Autazes, Novo Airão, Manaquiri, Barreirinha e Careiro Castanho)”, contou a presidente da ONG, Glória Reynolds ao site.

Um jovem casal de missionários americanos também participa das ações de solidariedade aos ribeirinhos. Nate e Roxanna Miller são de Kansas City, no estado do Missouri, e atuam na região há mais de dez anos. Segundo ela, “esta é uma forma de fazer chegar ajuda material e espiritual a quem precisa nas áreas isoladas da Amazônia. Os EUA também foram afetados pela Covid-19, mas aqui é diferente, porque as pessoas passam mais necessidades na floresta”,conforme apuração da publicação.

Anúncio