‘Melhor em Casa’ gasta R$ 4,9 mi sem atuação

Programa de saúde do governo federal com participação do Estado já custou quase R$5milhões em dois anos e não consegue atender boa parte da população do Amazonas. Para a SES, só 380 são assistidos

Manaus – Mesmo sem beneficiar quem realmente precisa, o programa de saúde do governo federal ‘Melhor em Casa’ já custou, nos últimos dois anos, quase R$ 5 milhões aos cofres públicos. O programa prevê a visita de profissionais na saúde para atender pacientes cadastrados em casa, mas é praticamente desconhecido dos amazonenses.

Pai de paciente com derrame cerebral denunciou descaso do governo durante execução do programa ‘Melhor em Casa’ . (Foto: Divulgação)

O projeto disponibiliza médico, enfermeiro, fisioterapeuta, técnico de enfermagem, nutricionista, assistente social, fonoaudiólogo, psicólogo, farmacêutico, administrativo para atender ao Sistema Único de Saúde do Amazonas (SUS-AM).

Para Claudemir Reis, pai de DaviLuiz,7, que teve derrame cerebral ocasionado pela demora no parto, e participa do programa médico há mais de cinco anos, esse é o pior governo para gestão do ‘Melhor em Casa’. O pai de família, inclusive já denunciou o péssimo serviço duas vezes para o Ministério Público do Amazonas (MPAM) para cobrar atendimento médico e alimentação especifica que o filho necessita.

“Era um pouco precário, mas agora piorou muito e isso é questão de vida do meu filho, está sendo muito arriscado sair com ele de casa para pegar laudo, orientação e outras coisas. E nesse momento, os responsáveis falaram que não tem médico, enfermeiro, ninguém”, relatou Claudemir.

De acordo com o pai da criança, que precisa do atendimento, os profissionais alegam falta de pagamento para arcar com combustível para ir até em casa dos pacientes. “A desculpa que eles dão lá é que não tem dinheiro, que não foi pago os profissionais e por isso não tem médico. Quando tem é um plantonista que não é especialista e por causa disso não pode dar um laudo ou uma receita médica”, lamentou.

O Governo do Amazonas contratou a BRB Serviços em Saúde Ltda, com CNPJ 19.008.322/0001-05 para fornecer esses profissionais da saúde para o projeto ‘Melhor em Casa’. De acordo com dados obtidos no Portal da Transparência do Amazonas, em 2019, a empresa recebeu maisdeR$3 milhões e em 2020 já recebeu R$ 1,7 milhões.

Ainda segundo o Portal da Transparência, em abril deste ano a BRB Serviços recebeu R$ 226 mil e em maio, mais de R$213mil. Nesses dois anos, a empresa já recebeu o montante de R$4,9milhões dos cofres públicos estaduais.

A mãe de Davi Reis, lamenta o descaso do Governo do Amazonas com projetos que são de necessidade para quem tem um filho especial em casa. “As crianças precisam, o Estado tem dinheiro, tem verbas para serem repassadas para cuidar das crianças e das pessoas que precisam, não só do meu filho, mas tem idosos que são acamados e precisam de alimentos e cuidados específicos. Eu, sou mãe e cuido dele, mas eu não sou profissional da saúde, faço o que eu posso e graças a Deus, tenho conseguido cuidar do meu filho ”, disse emocionada.

A família precisa gastar cerca de R$ 5 mil para manter a alimentação específica da criança, que apesar de ter 7 anos, tem a estrutura de uma criança de colo. Davi se alimenta por sonda. “Ele precisa de uma alimentação especial por causa da condição dele. Da última vez ele foi internado com desnutrição e problema pulmonar. Ano passado, ele quase veio à óbito por desnutrição, ele ficou internado na UTI. É obrigação do governador nos ajudar”, relatou o pai que já entrou com dois processos para garantir a alimentação.

SES-AM diz que programa federal atende 380 pacientes

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) informou ao GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO(GDC), que o ‘Programa Melhor em Casa’ é do governo federal, executado pelo Estado, focado na desospitalização de pacientes internados e que possuem doenças crônicas, ou seja, que não têm cura. De acordo com a nota, o paciente com esse perfil é avaliado pelo médico da unidade em que esta internado e se constatado critérios para participar do programa, a solicitação é  feita pelo médico do hospital a equipe do melhor em casa. Que após levantar as necessidades do paciente, passa a acompanhá-lo periodicamente em casa. O prazo recomendado pelo Ministério da Saúde para permanecer no programa é de até120 dais.

“O programa ‘Melhor em Casa’ é realizado no Amazonas desde 2016 e hoje a tende 381 pacientes, já tendo realizado cerca de 20 mil atendimentos de janeiro a agosto de 2020”,diz a nota. Como programa, o governo federal visa melhorar e ampliar a assistência no SUS a pacientes com agravos de saúde, que possam receber atendimento em casa e perto da família. Estudos apontam que o bem estar, carinho e atenção familiar aliados à adequada assistência médica são elementos importantes para a recuperação de doenças. Além disso, pacientes submetidos a cirurgias e que necessitam de recuperação podem ser atendidos em casa, e terão redução dos riscos de contaminação e infecção. O ‘Melhor em Casa’ objetiva ser um avanço para a gestão de todo o sistema público de saúde, já que ajudará a desocupar os leitos hospitalares, proporcionando um melhor atendimento e regulação dos serviços de urgência dos hospitais, diz o texto.

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