Memorial e culto marcam homenagens às vítimas do ’28 de março’

No local do acidente foi inaugurado um memorial em homenagem às vítimas do ’28 de março’. Familiares e amigos relataram lembranças e a saudade que o tempo não conseguiu amenizar

Manaus – “Por causa do acidente perdi duas filhas. Uma durante o acidente, e a outra, por causa da indenização”, afirmou a dona de casa Aldenora Amaral da Silva, 54, ao relembrar o 28 de março de 2014. A dona de casa é mãe de Adriane da Silva Fernandes, 20, uma das 16 vítimas fatais que estavam dentro do micro-ônibus da linha 825, no dia da tragédia que ficou marcada na lembrança de muitos amazonenses. O acidente ocorreu próximo ao viaduto Ayrton Senna, na avenida Djalma Batista, zona centro-sul da capital.

Com a presença do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, foi inaugurado um memorial no local do acidente, em homenagem às vítimas, e também foi realizado um culto ecumênico para relembrar e homenagear as vítimas. “Eu me sinto um pedaço da família de cada um de vocês. E vamos lutar todos os dias por um trânsito menos violento aqui em Manaus”, disse.

E foi ao relembrar do acidente que tirou a vida da filha, que dona Aldenora lembrou a morte de outra filha, Tatiane da Silva Fernandes, 19, encontrada estrangulada no dia 3 de dezembro de 2014, na Rua Cubatão, bairro Redenção, zona centro-oeste da capital.

Segundo a mãe, Tatiane, que era usuária de drogas, passou a ser ameaçada por um grupo de traficantes, que descobriu que ela e a família haviam recebido uma quantia em dinheiro, referente a indenização do acidente. “Não há um dia que não lembre delas. Eu preferia ter as duas vivas e não precisar viver tudo isso”, disse a dona de casa, que acrescentou que a família negociou a indenização com a empresa proprietária do caminhão.

Pai do motorista do microônibus que também morreu no acidente, Raimundo Nonato Fernandes Moraes, 53, disse que o filho Roberto da Cunha Moraes, 27, tinha ido cobrir um colega de trabalho que estava doente. “O Roby tinha o melhor coração do mundo. Nunca negou nada para ninguém, sempre foi prestativo. E quando lembro dele, só me vem o sorriso, pois era com o sorriso, que ele recebia quem falava com ele”, comentou.

Até hoje, Raimundo Nonato, que também trabalha como motorista, disse que a família aguarda o pagamento da indenização no valor de R$ 2,5 milhões que, segundo ele, ganharam na Justiça da empresa proprietária do caminhão.

O acidente tirou além das vidas, o sorriso do rosto de familiares e amigos, e deixou a saudade que o tempo não conseguiu amenizar. “Quando alguém morre, ele leva um pouco de cada familiar consigo. Eu estava com meu pai dentro do micro-ônibus naquele acidente, mas estou aqui para me juntar às famílias que perderam seus entes queridos”, relembrou a dona de casa Roseana Araújo, filha de Sebastião Araújo, uma das vítimas fatais da tragédia.

Educação no trânsito

A última semana do mês de março foi intitulada pela Prefeitura de Manaus como Semana Municipal de Prevenção e Combate à Violência no Trânsito. Em sua 4ª edição, o evento mostrou um dado positivo de 17% de redução nos acidentes fatais, ocorridos nos três primeiros meses deste ano, conforme dados do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito de Manaus (Manaustrans).

Acidente

A tragédia do dia 28 de março de 2014 aconteceu por volta das 20h, deixando 16 pessoas mortas e 17 feridas. Entre os mortos estão os motoristas dos dois veículos, uma criança e uma mulher grávida. O caminhão trafegava no sentido bairro-Centro, quando perdeu o controle, invadiu a contramão e bateu de frente com o micro-ônibus da linha 825. Na época, a Prefeitura de Manaus decretou luto oficial de três dias na capital.