Mitos sobre o sarampo são esclarecidos pela Sociedade de Medicina da Família

Vacina causar Autismo e ser aplicada apenas em clínicas particulares são alguns dos mitos derrubados pela SBMFC sobre a doença que já registrou mais de 500 casos, em Manaus

Manaus – Com 519 casos confirmados, Manaus vive um surto de sarampo. Entre os motivos, está a diminuição de adesão da vacina, disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) orienta e esclarece ‘mitos’ e ‘verdades’ sobre a doença que é mais comum em crianças, mas que também acomete adultos, e, se não tratada, pode levar o paciente à morte.

Prevenção ao sarampo é feita através da vacina Tríplice Viral. O público-alvo para vacina é de pessoas entre 6 meses e 49 anos. (Foto: Altemar Alcantara/Semcom Divulgação)

O sarampo pode ser prevenido com três tipos de vacinas diferentes: a Dupla Viral (SR), com proteção contra o sarampo e a rubéola; a Tríplice Viral (SCR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola; e a tetraviral, que protege contra essas três, mais a varicela, conhecida como catapora (SCR-V).

Mitos

Um dos mitos em relação ao sarampo é relacionado à vacina. Segundo a SBMFC, a vacina não provoca autismo. Ela é segura e não apresenta riscos de desenvolvimento de autismo. Entre os efeitos colaterais mais comuns da tetraviral, está a febre que acontece em até 15% dos vacinados, mas é reação considerada normal até 12 dias após a aplicação.

Ainda em relação à vacina um outro mito propagado é de que o esquema de proteção vacinal é feito apenas em clínicas particulares. De acordo com a SBMFC, todas as vacinas estão disponíveis pelo Ministério da Saúde gratuitamente e podem ser adquiridas nas Unidades Básicas de Saúde. Quando criança, a vacina deve ser aplicada em duas doses: a primeira dose é feita aos 12 meses de idade com a vacina da Tríplice viral, que protege contra caxumba, sarampo e rubéola e a segunda, dos 15 meses até aos 12 anos. No Brasil, a segunda dose é feita com a tetraviral, que também incluía a proteção contra varicela.

Quando não realizada na infância, a segunda dose pode ser aplicada na adolescência e na vida adulta com a mesma tríplice viral SCR. O ideal é verificar a necessidade de se vacinar, independentemente da idade.

Um outro mito propagado é a informação de que não existe risco de epidemias. A partir da década de 1990, com a efetividade da distribuição da vacina em todo o território nacional, o País ficou livre da doença. Porém, com a chegada de imigrantes não vacinados, a queda de cobertura vacinal entre os brasileiros por falta de vacina e aumento dos grupos de pais resistentes ao procedimento, muitas crianças e adolescentes podem desenvolver a doença e o vírus passa a circular, provocando alguns surtos isolados. Se os surtos não são bloqueados a tempo com a vacinação, podem provocar uma epidemia mais grave, pelo vírus ser altamente contagioso.

Verdades

Entre as verdades propagadas sobre as doenças está a de que ambientes fechados são mais propícios para contaminação. Em temperaturas baixas, é comum a população deixar lugares fechados, mesmo com fluxo alto de pessoas, como ônibus, igrejas, lojas, escolas e hospitais. Porém, é imprescindível deixar janelas e portas abertas para circulação de ar e evitar outras doenças, além do sarampo, como a caxumba.

Outra verdade é sobre a necessidade de se vacinar grupos de risco prioritariamente. As populações mais vulneráveis ao sarampo são aquelas que vivem e atuam profissionalmente em locais de grande circulação de pessoas em fase migratória, como portos e aeroportos, pois nem todos os países garantem um sistema e controle vacinal como o Brasil, que tem um dos melhores calendários e esquemas de distribuição vacinal do mundo. Os profissionais de saúde também devem manter sua vacinação em dia.

O última alerta é de que os sintomas iniciais podem ser confundidos com a gripe. Entre os mais comuns estão febre, tosse, mal-estar e corrimento nasal, que são seguidos de manchas vermelhas no corpo, que duram aproximadamente três dias. Essas manchas são os principais indícios de contaminação do vírus. Em casos mais graves, a criança ou pessoa pode ter infecção nos ouvidos e desenvolver pneumonia.