Moradores da Comunidade Arthur Bernardes estão cinco anos à espera de nova moradia

Grande incêndio, em 2012, deixou desalojadas 528 famílias da comunidade, no bairro São Jorge. Moradores cobram promessa do governo do Estado de construir novas moradias para as vítimas

Manaus – Cinco anos após o incêndio que deixou desalojadas 528 famílias da Comunidade Arthur Bernardes, no bairro São Jorge, zona oeste de Manaus, no ano de 2012, parte das pessoas que viviam no local ainda esperam pela construção das moradias prometidas. Segundo a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), as obras que seriam realizadas no local, atualmente estão paradas, mas com possível retorno previsto para 90 dias.

Obras que seriam realizadas no local, atualmente estão paradas, mas com possível retorno previsto para 90 dias (Foto: Sandro Pereira)

A Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) informou, por meio de nota, que até o momento, 356 famílias receberam algum tipo de benefício disponibilizado pelo Governo. Destas, 128 famílias receberam cheque moradia e foram transferidas ao Parque Residencial Mestre Chico 2, cinco famílias optaram por indenizações e 85 estão recebendo o benefício Bolsa Moradia Transitória, enquanto aguardam a realização das obras. De acordo com a Suhab, os gastos somam, em média, R$ 4,8 milhões.

Segundo a Suhab, das famílias que optaram por receber o bônus moradia, apenas quatro ainda estão pendentes, pois, segundo o órgão, ainda não apresentaram a proposta de casa para a Suhab efetuar a intermediação da compra.

A dona de casa Maria do Carmo, de 52 anos, que morava em uma das casas atingidas pelo incêndio, contou que atualmente recebe R$ 300 como auxílio-aluguel. A dona de casa ressalta que encontra dificuldade para encontrar locais que aluguem casas ou quartos por este valor.

“Eu recebo este valor para pagar o aluguel, mas ninguém mais aceita R$300 em um aluguel. Eu já tive que ir para a casa de alguns filhos para poder passar alguns dias, só que com esse dinheiro não dá”, contou.

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Incêndio de grandes proporções deixou mais de 500 pessoas desabrigadas (Foto: Jair Araújo/Arquivo)

A moradora ressalta que as obras estão paradas há cerca de quatro anos, e que, em reunião com a comunidade, os órgãos públicos não deram previsão de quando retomariam as obras. “A última vez que eu fui a uma reunião da comunidade eles só nos falaram que as obras estavam paradas e sem previsão de continuar. Enquanto isso, os materiais ficam todos parados no terreno, pegando sol e chuva sem ninguém cuidando dessa área”, ressaltou.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), que informou que o financiamento destinado a obras na Comunidade Artur Bernardes é feito pela Caixa Econômica Federal (CEF) e que esse financiamento ainda será encaminhado ao Ministério das Cidades para aprovação. A Seinfra estima que o prazo de recomeço dos serviços seja de 90 dias.

Relembre o caso

Em 27 de novembro de 2012, um incêndio de grandes proporções ocorrido na comunidade Arthur Bernardes, por volta das 13h, deixou mais de 500 famílias desabrigadas. Na ocasião, 12 carros do Corpo de Bombeiros foram utilizados para conter as chamas e resgatar as vítimas do incêndio.

As famílias da comunidade foram atendidas pelas secretarias municipal e estadual com abrigos provisórios, e doação de mantimentos, roupas e eletrodoméstico.

O governo do Estado prometeu entregar indenizações e novas moradias a pessoas afetadas pelo acidente. Com a demora no pagamento das indenizações, ao longo dos anos, moradores da comunidade realizaram diversos protestos como forma de cobrança dos benefícios atrasados.

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