MPF nega ter recebido dossiê sobre morte de indigenista Maxciel Pereira no AM

O MPF disse ter apurado dez ofícios da Univaja que relata ocorrência de invasões e crimes ambientais no Vale do Javari

Manaus – O Ministério Público Federal (MPF) divulgou uma nota neste sábado (25) em que diz ter respondindo dez ofícios da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) entre novembro de 2000 e maio de 2022. O MPF também nega ter recebido qualquer dossiê sobre o assassinato do indigenista Maxciel Pereira dos Santos, morto em 2019.

Maxciel Pereira dos Santos era servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai) foi morto em 2019, em Tabantiga (Foto: Divulgação)

De acordo com com o MPF, nos documentos, a Univaja relata ocorrência de invasões e outras condutas que podem caracterizar crimes ambientais na Terra Indígena Vale do Javari, como garimpo ilegal, pesca e desmatamento.

“Todos os ofícios recebidos no MPF foram autuados e deram origem a procedimentos administrativos cíveis e criminais ou inquéritos policiais, instaurados para apurar as situações relatadas pela Univaja, como se demonstra a seguir”, diz a nota.

No texto, o Ministério Público listou quais foram os procedimentos instaurados para cada um dos dez ofícios enviados pela Univaja. Ainda segundo o órgão, todas as informações encaminhadas pela Univaja são apuradas não apenas pelo MPF, mas também encaminhadas a outras autoridades, como a Polícia Federal, quando é caso de atuação de outras instituições.

Dossiê sobre a morte de Maxciel

O indigenista Maxciel Pereira dos Santos era servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai) e trabalhava há 12 anos fiscalizando a região do Vale do Javari quando foi morto com com dois tiros na cabeça em 2019, em Tabantiga Tabatinga (a 1.108 quilômetros a oeste de Manaus), próximo a região de Atalaia do Norte, no Amazonas.

O crime ainda não foi esclarecido e voltou à atona após as mortes do também indigenista Bruno Pereira, parceiro de Maxciel, e do jornalista britânico Dom Phillips, esquartejados e queimados no Vale do Javari.

Na nota, o MPF diz que vem acompanhando as investigações desde a instauração do inquérito policial pela Polícia Federal. Em maio, o órgão informou que requisitou à PF remessa do inquérito para acompanhamento do cumprimento das últimas diligências e impulsionamento do feito.

Ainda segundo o MPF, não consta nos autos do inquérito policial referente à investigação do homicídio cometido contra Maxciel nenhum dossiê entregue por familiares ou quaisquer documentos dessa natureza. “Portanto, o MPF não tem conhecimento do referido dossiê”, finaliza a nota.

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