No AM, casos de leptospirose aumentam 33%

A doença precisa ser acompanhada, pois pode apresentar complicações sérias, podendo ocasionar a morte

Manaus – O Amazonas registrou um aumento de 33% nos casos de leptospirose, este ano, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS). A doença é ocasionada pelo contato com água contaminada por urina de roedores e ingestão de alimentos mal lavados. O período chuvoso, também, pode ser um dos fatores que favorecem o aumento da contaminação.

Até dezembro deste ano, 185 casos foram registrados no Amazonas, contra 139 casos notificados no mesmo período do ano passado. Um aumento de 33%, segundo a FVS. Casos da doença são registrados durante o ano inteiro, sendo 90% notificados por Manaus, que registrou, até dezembro de 2017, 135 casos, enquanto, em 2016, foram registrados 94 casos.

Para o diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque, o aumento do número de casos está diretamente relacionado com a exposição. Como o período de chuvas, este ano, foi praticamente antecipado isso pode gerar um aumento no volumes de casos, já que as pessoas têm mais possibilidade de contato com a água contaminada.

A melhor forma de evitar a doença, segundo a FVS, é o uso de proteção, como botas, além de evitar o contato com águas de enxurradas e inundações.Foto: Gisele Rodrigues

“É uma doença de ocorrência tipicamente sazonal, em função do próprio mecanismo de transmissão. A água contaminada entra em contato com a pele das pessoas e penetra na pele úmida e macerada. É aí que se dá a contaminação”, explicou.

Para quem teve contato com água da chuva ou enxurradas, após 5 a 14 dias, média do período de encubação, o ideal é buscar o serviço de saúde para que possa fazer uma avaliação. A doença precisa ser acompanhada, pois pode apresentar complicações sérias, podendo ocasionar a morte, por uma questão do comprometimento renal, da coagulação, provocando sangramentos, e o comprometimento hepático, de acordo com Albuquerque.

“Após iniciar quadro febril ou presença de dores articulares e musculares, principalmente nas panturrilhas, é interessante buscar o serviço de saúde para que possa fazer uma avaliação, e, se confirmar a doença, tratar de uma forma mais precoce possível”, ressaltou.

Atendimento 
De acordo com o diretor, todas as unidades de saúde estão preparadas para receber pacientes com suspeitas da doença. Porém, a maioria dos casos se concentra na Fundação de Medicina Tropical (FMT), considerado o hospital de referência. “Mesmo quando atendidos em outra unidade de saúde, eles são transferidos para o Tropical”, acrescentou.

As periferias da cidade são onde foram registrados o maior número de casos. “Ocorre principalmente naquelas áreas onde o saneamento básico é precário, pela questão do acúmulo de lixo, a população de roedores é bem mais expressiva”, afirmou.

Prevenção
Albuquerque ressalta que a melhor forma de evitar a doença é o uso de proteção, como botas, além de evitar o contato com águas de enxurradas e inundações. “É importante ressaltar que nós não temos uma proteção específica para esta doença, como uma vacina”, ressaltou.

A questão da higienização da água também é importante, afirmou Albuquerque. O uso de hipoclorito na água elimina a leptospira e outras bactérias. “Assim como ela adentra pela pele, pode acontecer de entrar, também, pela mucosa”, afirmou.

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