Nomes ligados ao governo Wilson Lima são alvos de operação da Polícia Federal

Pelo menos cinco nomes ligados ao governo do Estado são alvos de desdobramento da operação Sangria, deflagrada na manhã desta quinta-feira (8)

Manaus – A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (8), um desdobramento da Operação Sangria, que investiga casos de corrupção da Saúde do Amazonas. Dentre os alvos da operação, estão nomes ligados ao governo Wilson Lima.

Há mandados de prisão expedidos em nome de Rodrigo Tobias (ex-secretário de Saúde do Amazonas), Dayana Priscila Mejia de Souza, Ronald Gonçalo Caldas Santos, Gutemberg Leão Alencar e Luiz Carlos Avelino Junior.

A segunda fase da Operação Sangria consiste no cumprimento de 5 mandados de prisão temporária e de 9 de busca e apreensão na cidade de Manaus. O trabalho conta com a participação de 8 servidores da CGU e de policiais federais.

A operação conta com apoio do Ministério Público Federal (MPF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), por meio da qual são investigados fatos relacionados a possíveis práticas de crimes, como pertencimento a organização criminosa, fraude à licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

Mandados de prisão expedidos (Foto: Reprodução)

Operação Sangria

Na primeira fase da operação, verificou-se que uma empresa comercializadora de vinhos, utilizando-se de empréstimo de dinheiro, adquiriu de uma empresa local os respiradores pulmonares. Em seguida, revendeu-os ao Estado do Amazonas com preço superfaturado. Já o dinheiro recebido pelo Governo do Amazonas foi remetido ao exterior, para uma empresa aparentemente de fachada.

A partir dos elementos de prova angariados após o cumprimento dos mandados judiciais na primeira fase, identificou-se que mais funcionários do alto escalão da Secretaria de Saúde do Amazonas também participaram do processo de contratação fraudulenta para favorecer grupo de empresários locais, sob orientação da cúpula do Governo do Estado.

Há indícios de que a aquisição destes respiradores pulmonares seria apenas o início de outros esquemas de compra de equipamentos que seriam realizados durante a pandemia do COVID-19, na medida em que, na primeira fase ostensiva, foram apreendidas consideráveis propostas de preços de respiradores pulmonares de diferentes empresas na posse de apenas um empresário, sem razões aparentes.

Observou-se, ainda, a participação efetiva de sócio oculto ligado a uma empresa investigada, o qual, com o lucro obtido de maneira fraudulenta, investiu na aquisição dos testes rápidos para COVID-19, com a finalidade de revender ao Estado do Amazonas e aumentar o proveito da vantagem obtida de maneira ilícita.

Os indiciados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de fraude à licitação, peculato, pertencimento a organização criminosa e lavagem de dinheiro. Se condenados, poderão cumprir pena de até 30 anos de reclusão.

Nota Governo do Amazonas

O Governo do Amazonas informa que está contribuindo com a apuração dos fatos pela Polícia Federal e órgãos de controle e que a ação de busca e apreensão, desencadeada nesta quinta-feira (08/10), envolve, em grande parte, pessoas que já não fazem mais parte da estrutura de Governo, bem como servidores que não atuam como ordenadores de despesas ou tenham poder de decisão na estrutura do Estado ou da investigação em questão.

O Governo do Estado reitera que tem atuado de forma transparente e que confia na Justiça.

*Atualizada às 8h04 para inclusão de informações

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