Operação da PF prende gerente executivo do INSS no AM

O gerente executivo estaria concedendo benefícios indevidos a terceiros, mediante inserção de dados falsos nos sistemas informatizados da autarquia

Manaus – A Polícia Federal no Amazonas deflagrou, na manhã desta segunda-feira (22), a operação Zero Um, com o objetivo de desarticular as ações criminosas cometidas pelo gerente executivo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Amazonas, Clizares Santana. O gerente executivo estaria concedendo benefícios indevidos a terceiros, mediante inserção de dados falsos nos sistemas informatizados da autarquia.

Clizares foi preso na manhã desta segunda no município de Manacapuru (a 68 quilômetros a oeste de Manaus), em cumprimento de mandado de prisão preventiva. Além de Manacapuru, outros seis mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em Manaus e Iranduba, no Amazonas, e em Ilhéus, no interior da Bahia.

A operação Zero Um foi deflagrada pela Polícia Federal com objetivo de desarticular ações criminosas no INSS, no Amazonas (Foto: Nathalie Moraes/Divulgação)

O gerente executivo do INSS em Manaus teria concedido, de forma irregular, um benefício previdenciário em favor de uma mulher, que não teve o nome divulgado pela PF, com quem tem relação de parentesco. A mulher recebia mensalmente um beneficio de R$2.100, desde 2014. As investigações contra Clizares iniciaram em meados de 2017.

De acordo com a Polícia Federal, Clizares se aproveitava de sua posição na autarquia para praticar os crimes em série. “Estamos investigando quantas pessoas podem ter sido beneficiadas de modo irregular. Constatamos, ainda, a prática do crime de peculato a partir de possíveis fraudes em contratos do órgão com terceiros. Além disso, encontramos benefícios irregulares concedidos a servidores da autarquia. Esse prejuízo não se resumiu apenas a essa beneficiária inicial, os fatos vão além, pois ele se prevalecia de sua condição”, afirmou o delegado da Polícia Federal, Max Ribeiro.

Segundo a delegada da PF Jeanie Trufeti, a operação foi deflagrada em conjunto com o Estado da Bahia. “A pessoa que foi beneficiária da ação delituosa do gerente do INSS, fez um pedido primeiro ao INSS do seu estado e teve o pedido de beneficio negado, sendo concedido por um outro estado de modo irregular. Nas investigações conseguimos apurar que ele seria primo da mulher beneficiária, e estaria utilizando, ainda, a chefe de setor de benefícios para conceder outras irregularidades,” afirmou a delegada.

Com as investigações foram descobertas a inserção de dados falsos nos sistemas informatizados da autarquia, além de possíveis interferências em contratos firmados entre o INSS e empresas prestadoras de serviços, e cobranças de vantagens indevidas a empresários vencedores de licitações para a reforma de agências da Previdência Social no interior do Estado. A ação da PF contou com a colaboração do órgão previdenciário federal (INSS) e da Controladoria-Geral da União (CGU).

Clizares responderá pelos crimes de peculato, inserção de dados falsos em sistema de informações, corrupção passiva, advocacia administrativa e emprego irregular de verba pública, dentre outros, respectivamente previstos nos artigos 312, 313-A, 317, 321 e 315 do Código Penal.

O nome da operação é uma alusão ao fato de o principal investigado ocupar a mais alta posição funcional da autarquia previdenciária federal no Estado do Amazonas: a de gerente executivo.