Órgãos do AM vão vistoriar barragem em Presidente Figueiredo

Durante reunião na sede do do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), foi anunciado, ainda, um investimento de R$ 5 milhões para monitoramento de áreas que são de responsabilidade do Estado

Manaus – Desde a tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, na última sexta-feira (25), uma série discussões foram levantadas sobre as condições das barragens existentes em todo o País e, no Amazonas, não seria diferente. Na manhã desta terça-feira (29), uma reunião na sede do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), revelou a situação das barragens do Estado. De ante mão, foi anunciada uma visita a Mineração Taboca, responsável pela extração de cassiterita (óxido de estanho), nos dias oito e nove de fevereiro.

Em todo o Amazonas, de acordo com o órgão, existem 29 barragens consideradas de alto potencial. A maioria delas com atividades de piscicultura, criação de peixes. O Ipaam é o órgão responsável por fiscalizar e monitorar a situação das áreas.

“Todas essas áreas são monitoradas permanentemente e nós já temos a avaliação em tempo real. Eu consigo dizer com os dados do Ipaam, por meio desse monitoramento, a situação de cada uma delas e o risco de cada uma”, disse Eduardo Taveira, titular da Secretaria de Estado do Meio Ambienta (Sema).

De acordo com o órgão, as barragens de mineração, em sua maioria com concentração em Presidente Figueiredo (a 117 quilômetros ao norte de Manaus), o risco é apontado pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Em relação a Hidrelétrica de Balbina, também no mesmo município, a responsabilidade é da Agência Nacional de Energia Elétrica (Anel). O Ipaam realiza fiscalizações e monitora a situação de risco.

Monitoramento de áreas de barragens será reforçado (Foto: Ricardo Oliveira)

Além disso, das dez barragens de minério no Amazonas, nove estão classificadas com nível médio e uma com alto poder de impacto. Caso essa barragem venha a se romper, ela não apresentaria danos à população, devido a características geográficas e de habitação, mas o s danos ambientais seriam inestimáveis.

“O risco que nós temos aqui é de fauna, impacto de fauna, impacto na flora, impacto nos recursos subterrâneos, nos recursos superficiais. É óbvio que a gente vai ter impacto porque se trata de um rejeito contaminado”, explicou Juliano Valente, diretor-presidente do Ipaam.

Porém, segundo um estudo realizado por um perito e especialista em auditoria e gestão ambiental, as barragens de Presidente Figueiredo apresentavam alto risco de rompimento. Conforme a Sema, os dados estão relacionados somente até o ano de 2014.

“Dez delas, até 2014, eram consideradas de alto risco. Apenas uma delas ainda está nessa situação. A outra de alto risco é de responsabilidade da Anel, que é a barragem Hidrelétrica de Balbina. Um relatório técnico do Ipaam aferindo o devido controle deve ser feito para que ela continue segura”, comentou o titular da Sema.

Na oportunidade, o governo do Estado anunciou um recurso de R$ 5 milhões para modernizar o monitoramento das barragens, em especial as que são de responsabilidade direto do Amazonas e do Ipaam, que são as de piscicultura.

“Com esse recurso, o Estado, a Sema e o Ipaam tem sido pioneiros na utilização por exemplo de drones, no monitoramento em tempo real da situação dessas barragens. Além disso, junto com o Instituto, esse recurso também prevê a montagem de uma sala de monitoramento em tempo real com informações dessas barragens para que tragédias como as que aconteceram em Minas Gerais não aconteçam no Amazonas”, finalizou Eduardo Taveira.