Para Sérgio Moro, conversas não são ‘nada demais’

O ministro se retirou quando foi questionado sobre as mensagens divulgadas pelo site Intercept, que apresentam trechos de conversas entre ele e o procurador da República, Deltan Dallagnol

Manaus – Em visita a Manaus para cumprir a agenda na área de segurança, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro se retirou da coletiva de imprensa quando foi questionado sobre as mensagens divulgadas pelo site Intercept, que apresentam trechos de conversas entre ele e o procurador da República, Deltan Dallagnol, alegando não ter visto “nada demais”. Ao longo das atividades, o ministro não deu mais nenhuma declaração à imprensa.

“Foi uma invasão criminosa de celulares de procuradores. Para mim, este é um fato bastante grave, por ter havido essa invasão e essa divulgação. E quanto ao conteúdo, no que diz respeito a minha pessoa, não vejo nada demais”, declarou.

O ministro Sérgio Moro durante encontro com secretários estaduais de Justiça Cidadania, Direitos Humanos e Administração Penitenciária, em Manaus (Foto: Yago Frota/GDC)

Nas conversas, ao longo de dois anos, Moro sugeriu que o procurador trocasse a ordem de fases da Lava Jato, deu conselhos e pistas informais de investigação e antecipou uma decisão que ele ainda daria.

O ministro alegou que não houve nenhuma orientação nas mensagens. “Eu nem posso dizer que são autênticas, porque são coisas que aconteceram anos atrás. Eu não tenho mais essas mensagens, não guardo, não tenho registro disso. Juízes conversam com procurador, advogado, policiais. Isso é algo normal”, acrescentou.

A Constituição de 1988 determina que não haja vínculos entre o juiz e as partes em um processo judicial. Para que haja isenção, o juiz e a parte acusadora não devem trocar informações e nem atuar fora de audiências.

O ministro veio a Manaus para participar da reunião do Conselho Nacional dos Secretários de Estado da Justiça, Cidadania, Direitos Humanos e Administração Penitenciária do Brasil (Consej), que tem como objetivo apresentar o atual cenário do sistema prisional de cada Estado, analisando processos administrativos e de gestão, além de métodos de alocação de internos dentro das unidades.

Em sua passagem pela capital amazonense, Moro visitou o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), o Centro de Detenção Provisória Masculino 2 (CDPM 2), Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) e a Unidade Penitenciária do Puraquequara (UPP). As visitas aos presídios estavam programadas para iniciar às 14h, mas foram feitas com uma hora de antecedência. Posteriormente, o ministro foi para a sede da Polícia Federal onde reuniu com o superintendente do órgão, Alexandre Saraiva.

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