Paralisação de motoristas de aplicativo causa engarrafamento na Av. Mário Ypiranga

Ato foi para chamar atenção do poder público e privado para a falta de rigor com o cadastro de clientes da empresa ’99’. Na manhã desta sexta, o corpo de um motorista de aplicativo foi encontrado após estar desaparecido há cerca de quatro dias

Manaus – Cerca de 40 motoristas do aplicativo de transporte de passageiro 99 fizeram um ato de paralisação, na tarde desta sexta-feira (28), para chamar atenção do poder público e privado para a falta de rigor com o cadastro de clientes da empresa. O ato aconteceu na Avenida Mário Ypiranga Monteiro, bairro Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus. O Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) informou que as duas faixas de rolamento da Avenida estavam interditadas, por volta das 14h, causando engarrafamento ao longo de toda a avenida.

Um dos motoristas do aplicativo 99, Silvio Cintra Maia, disse que muitos motoristas estão sendo assaltados e que não tem a quem recorrer. Segundo o motorista não há qualquer norma de segurança para cadastrar perfis de motoristas e clientes do aplicativo deixando os motoristas vulneráveis a assaltos. “O [perfil] do cliente tem que, pelo menos, constar a foto e o CPF válido consultado na Receita Federal e nos órgãos de segurança para que o motorista se sinta seguro”, disse. Na manhã desta sexta, o corpo de um homem motorista de aplicativo de transporte urbano foi encontrado após o homem ter desaparecido há cerca de quatro dias. Os motoristas do aplicativo 99 e de outros aplicativos de transporte urbano temem também serem vítimas de homicídio e outras ações criminosas. “Todos trabalham com medo e não sabem qual vai ser da vez”, acrescentou Silvio.

Com a manifestação, os motoristas querem chamar a atenção da prefeitura para que seja realizada uma reunião com o objetivo de buscar soluções para o problema a partir da intervenção do poder público municipal na questão da fiscalização em relação à segurança da empresa. “Nós temos um projeto de lei que o prefeito pode aprovar a qualquer momento sem consultar nenhum motorista”, disse Silvio ao citar um projeto de lei que visa mais segurança para os motoristas de aplicativos de transporte urbano em Manaus.

A manifestação aconteceu em frente ao um hotel onde está localizado o escritório de representação da empresa 99 em Manaus. A reportagem buscou contato com os funcionários da empresa, na tarde desta sexta-feira, mas foi informada que não havia ninguém da empresa no escritório. A reportagem tenta também contato com a empresa. A reivindicação dos motoristas é que as autoridades de segurança pública de Manaus e do Estado do Amazonas convidem executivos das empresas, incluindo a 99, para tratar sobre fiscalização de segurança para motoristas e clientes dos aplicativos.

O apelo dos motoristas para a prefeitura acontece após a categoria buscar solução para este tipo de problema junto à empresa e não receber nenhuma solução. Os motoristas afirmam que entram em contato com a empresa por e-mail, contato específico para esse tipo de demanda, dando sugestões para evitar assaltos e outras ações criminosas, mas recebem apenas respostas genéricas.

Segundo os manifestantes, muitas vezes o perfil solicita corrida, mas outra pessoa se apresenta como solicitante. “Não aparece foto do passageiro. Você não sabe quem é. Uma pessoa solicita e quando você vai pegar o passageiro é outra pessoa”, disse o motorista Antônio Carlos Pires, 55.

A reportagem também entrou em contato com a prefeitura de Manaus e aguarda posicionamento sobre possível agendamento de reunião com os motoristas e gestores estratégicos da empresa 99.

Segurança

Em nota, o escritório nacional da 99 informou que está em contato com os condutores. A 99 informou que é genuinamente preocupada com a segurança de seus passageiros e motoristas. “O assunto é prioridade máxima do aplicativo”, informou a empresa.

A 99 informou, também, que montou uma equipe especialmente dedicada a questões de segurança, composta por mais de 50 pessoas incluindo ex-militares, engenheiros de dados e psicólogos. Conforme a empresa, todos os passageiros devem informar o Cadastro de Pessoa Física (CPF) ou cartão de crédito antes da primeira corrida; há o mapeamento de áreas de risco que envia aos motoristas notificações sobre essas zonas; há também um canal de atendimento exclusivo para incidentes de segurança no 0800-888-8999; e a opção em que os motoristas podem optar por não receber pagamento em dinheiro.

***Matéria atualizada às 23h35 para acréscimo de informações***

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