Parentes de jovem violentada por obstetra resolvem abrir processo contra o médico

O caso ocorreu há nove meses. Segundo informou a Susam, a família da vítima não havia denunciado o caso à Ouvidoria, à época. Medo de represália teria sido o motivo

Manaus – Parentes da jovem de 16 anos que foi violentada pelo médico ginecologista e obstetra Armando Andrade Araújo compareceram à Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), situada na Avenida Mário Ypiranga Monteiro, bairro Parque Dez de Novembro, zona centro-sul da capital, na tarde desta quarta-feira (20), para abrir um processo contra o profissional da saúde. O homem responderá por vias de fato e injúria, de acordo com Débora Mafra, delegada titular da Especializada.

Familiares da jovem compareceram à DECCM para abrir um processo contra o ginecologista e obstetra Armando Andrade Araújo. (Foto: Foto Jimmy Geber/GDC)

O caso ocorreu há nove meses. Segundo informou a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), a família da vítima não havia denunciado o caso à Ouvidoria, à época. Questionada do porquê, a responsável pela adolescente alegou que ficou com medo de sofrer represálias do agressor. “Ele tem dinheiro, é poderoso, por isso que ‘pinta e borda’”, disse.

A responsável pela vítima afirmou, ainda, que “como tudo veio à tona”, ela pretende recorrer à Justiça. “Não é fácil estarmos vivendo tudo isso. Estou com dez dias de operada”, falou a mulher.

O vídeo do parto viralizou nas redes sociais e a responsável pela adolescente comentou que viu comentários de pessoas relatando que também sofreram agressões do médico ginecologista e obstetra. Ela comentou, ainda, que a filha dela ficou abalada após a exposição causada pelo vídeo nas redes sociais. “Mas, tanto ela quanto o bebê estão bem”, contou.

De acordo com a delegada Mafra, cinco Boletins de Ocorrência (B.O) foram registrados no nome de Armando Andrade Araújo. Sem entrar em detalhes sobre os documentos, a delegada comentou que alguns deles envolviam agressões por tapas, semelhantes ao caso da jovem de 16 anos.

A autoridade policial deu detalhes a respeito dos crimes pelos quais Araújo responderá. “Não deu lesão corporal porque foi um tapa só, desferido pelo médico, e eu perguntei se ficou roxo ou não”, disse a delegada.

A vítima disse à reportagem que o médico queria, no momento do parto, que uma enfermeira segurasse as pernas dela, enquanto que outra subisse na barriga da adolescente, para realizar o parto. “Depois que o neném nasceu, fiquei muito mal. Não conseguia andar ou sentar direito”, afirmou.

A jovem disse, ainda, que o médico Armando Andrade Araújo bateu nela, depois da sogra afirmar que chamaria a polícia. “Ele tava muito violento”, contou.

OAB toma providências

A Ordem dos Advogados do Brasil seccional Amazonas (OAB-AM), por meio da Comissão de Direitos Humanos (CDH), encaminhou um pedido de providências referente à apuração dos fatos que aparecem no vídeo do parto, na tarde desta quarta-feira (20), ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e ao Ministério Público do Estado (MPE-AM).

No documento, assinado pelo presidente da OAB-AM, Marco Aurélio Choy, e pelo presidente da CDH, Epitácio da Silva Almeida, a instituição informa que, apesar do caso ter ocorrido há nove meses, tomou conhecimento nesta terça-feira (19), e classificou o episódio como uma “flagrante violação dos Direitos Humanos”, nos artigos 23 e 27 do Código de Ética do Conselho Federal de Medicina (CFM), que trata da ausência de civilidade e desconsideração com a dignidade humana. Choy destacou também que o caso configura uma clara violência obstetrícia.

***Matéria atualizada às 18h37 para acréscimo de informações***