Peritos paralisam atividades e cobram resposta do Governo do AM

Iniciada na noite de quarta-feira (24), a classe anunciou que não pretende retomar as atividades, enquanto não obtiver resposta do governo do Estado

Manaus – A paralisação total dos peritos do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) pode prejudicar atividades da Justiça, armazenamento e necropsia de falecidos em todo o Amazonas, segundo o perito Ilton Soares, vice-presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais do Estado do Amazonas (Sinpoeam). Iniciada na noite de quarta-feira (24), a classe anunciou que não pretende retomar as atividades, enquanto não obtiver resposta do governo do Estado.

Ao todo, o Estado dispõem de 170 peritos. A paralisação começou às 20h desta quarta-feira, e de acordo com Soares, a paralisação das atividades da categoria é total. “Não tem perito saindo para fazer perícia em locais de crime e a necropsia está paralisada”, disse.

Até o fechamento desta matéria, 13 cadáveres foram contabilizados nas gavetas do Instituto Médico Legal (IML), que tem capacidade para armazenar 20 corpos.

Reivindicações

Conforme o vice-presidente do Sinpoeam, o Instituto de Criminalística, prédio onde trabalham os peritos, não recebeu uma reforma em trinta anos e apresenta más condições de funcionamento. O profissional afirmou também que não há nenhuma viatura do DPTC funcionando.

Soares afirmou, ainda, que reparos em viaturas do DPTC estavam sendo realizados com investimento dos próprios profissionais. “Nós não vamos mais resolver os problemas do Estado. Na última quarta-feira (24), dois colegas tiveram que sair do prédio do IML a pé, para poderem fazer perícia, por não termos viaturas funcionado. Os veículos que estamos usando foram cedidos pelo governo federal”, disse.

De acordo com o perito, não há motoristas habilitados no Estado para exercerem a função de condutores. “Para se pilotar uma viatura de emergência, é necessário um curso específico”, afirmou.

Com relação aos problemas de infraestrutura do Instituto de Criminalística, Soares informou que há falta de iluminação no prédio, impossibilitando os procedimentos de necropsia. “Para identificar as vítimas de arma de fogo, precisamos de máquinas de raio-X para localizar os projéteis no cadáver, mas não temos nem isso”, disse. O perito sinalizou a falta de materiais de higiene e esterilização.

Diálogo

De acordo com a presidente do Sinpoeam, Viviany Pinto, a categoria só irá cessar a paralisação mediante resposta do governo do Estado. “Enquanto o governo tiver essa visão da não valorização da classe, a população vai, infelizmente, sofrer”, disse.

Segundo o perito Soares, a classe está tentando estabelecer diálogo com o governo do Estado, desde janeiro deste ano. “O estopim (para começar a manifestação) foi quando não recebemos, neste mês de abril, a data-base, garantida por lei à classe”, disse Soares.

Conforme o perito, a categoria não recebe aumento há quatro anos, diferente da dos delegados, escrivães e investigadores.” Esperamos, pelo menos, um termo de ajustamento de conduta, para que possamos ter a garantia que o governo cumprirá com a palavra”, disse.

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