Pesquisa: educação pouco inclusiva no Amazonas

Para presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Amazonas, resultado de pesquisa que mostra o Amazonas com menor número de deficientes na escola é “indigesto”

Manaus – Estado com maior número de crianças e adolescentes deficientes fora da escola, segundo relatório do 2º Ciclo de Monitoramento das Metas do Plano Nacional de Educação (PNE), divulgado na última quinta-feira (7) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Amazonas recebeu críticas da Associação dos Deficientes Físicos do Amazonas (Adefa) pela falta de políticas públicas de educação inclusiva.

No Amazonas, quase um quarto dos alunos (75,5%) com deficiência está fora da sala de aula. (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

De acordo com a pesquisa, enquanto o percentual de matrículas de pessoas com deficiência na Educação Básica, no Distrito Federal, foi de 90,4%, no Amazonas quase um quarto dos alunos (75,5%) nessa condição estão fora da sala de aula.

Segundo o presidente da Adefa, Isaac Benayon, desde 1995, quando o Brasil passou a inserir políticas públicas de educação inclusiva, muitos avanços foram conquistados, mas ele admite que são muitos os empecilhos que atrapalham deficientes físicos e intelectuais a terem acesso à educação. Mais do que ir para a escola, na avaliação do presidente, garantir o ensino de qualidade pé o maior desafio do Estado.

“O MEC (Ministério da Educação) adotou a inovadora meta 4, que é a nossa meta de inclusão da pessoa com deficiência. Não basta ter o direito sem ter acolhimento. As secretarias municipais e estadual não deram condição para acolher esse aluno. Não tem transporte, as escolas não são adaptadas, não tem cadeira de rodas, profissionais multidisciplinares”, criticou.

Ele lembrou que, por lei, as crianças e adolescentes devem ser recebidos nas escolas com ensino regular, mas a realidade nas escolas públicas do Estado é outra, na avaliação de Benayon.

“A lei diz que só podem ter, no máximo, cinco crianças por sala. Mas tem crianças que precisam de atenção individualizadas, aí você deixa esse aluno e a professora com 40 alunos ‘baderneiros’, é um sofrimento”, destacou.

O presidente classificou o resultado da pesquisa como “indigesto”. Segundo ele, os números servem para que a classe cobre novas melhorias. “Eu sou deficiente físico e digo que só se vence através do estudo. Temos que provocar o Ministério Público, as secretarias que tem setores específicos pra esse atendimento, para melhorar”, disse.

De acordo com Isaac, existem escolas modelos na capital, na rede pública, mas que precisam deixar de ser uma “exceção para virar uma regra”.

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