Pesquisador brasileiro usa solo de fazenda de Manaus em pesquisa na Dinamarca

Rodrigo Pinheiro Bastos, que fez mestrado em Manaus, analisa o solo amazônico em seu doutorado na Dinamarca. O estudo inclui a castanheira da Amazônia e como ela contribui para a melhoria do solo

Copenhague – Nascido em Brasília (DF) e criado em Goiânia (GO), Rodrigo Pinheiro Bastos está há mais de três anos na Dinamarca estudando como os esforços para aumentar a cobertura florestal no País escandinavo estão provocando alterações no solo. A pesquisa inclui a análise do solo amazônico em uma fazenda situada a 220 quilômetros de Manaus.

Desde que chegou à Dinamarca, em 2014, Rodrigo percorreu 20 locais diferentes em quase todas as regiões do País (Foto: Arquivo Pessoal)

Rodrigo é estudante de doutorado da Universidade de Copenhague. Na Dinamarca, há várias áreas que foram reflorestadas 100, 200 anos atrás. Um dos pontos centrais do estudo do brasileiro é descobrir se, com o passar do tempo, uma área reflorestada continua promovendo transferência de carbono da atmosfera para o solo. O carbono, quando liberado na atmosfera na forma de gás carbônico, contribui para o aquecimento global.

“A partir do momento em que você refloresta áreas agricultáveis, depois de muito tempo, a gente ainda não sabe se a floresta continua sendo fonte de carbono ou se ela passa a ser também sumidouro de carbono, se ela começa a sequestrar mais carbono da atmosfera ou se ela começa a liberar mais carbono na atmosfera”, explica Rodrigo.

A Dinamarca é um ótimo campo para esse tipo de pesquisa porque há séculos o País vem tentando recuperar parte de suas florestas, que quase desapareceram no século 18. No ano 2000, o governo criou um plano para que o País volte a ter aproximadamente 20% de seu território coberto por florestas até 2020.

Desde que chegou à Dinamarca, em 2014, Rodrigo percorreu 20 locais diferentes em quase todas as regiões do País para colher material para sua pesquisa.

A pesquisa também inclui a análise do solo amazônico em uma fazenda a 220 quilômetros de Manaus. Na capital amazonense, Rodrigo fez seu mestrado e morou antes de deixar o Brasil. O trabalho é feito em parceria com o Instituto de Pesquisas da Amazônia e se concentra numa espécie de árvore.

“Na Amazônia, a gente tem o desflorestamento e nesse caso, em uma fazenda particular, a gente estudou uma espécie da Amazônia que é muito conhecida, que é a castanheira da Amazônia ou ‘Brazil nut’, para o reflorestamento, como ela contribui para a melhoria do solo, da fertilidade do solo, da física do solo”, explicou o estudante.

Castanheira oferece solução ambiental e econômica

A escolha da castanheira para o estudo no Brasil tem razões ambientais e econômicas. De acordo com Rodrigo, a árvore é ótima para plantio em áreas degradadas porque tolera bem condições ambientais extremas como forte radiação solar, pouca umidade e falta de nutrientes. Além disso, o pesquisador acredita que, como a comercialização da castanha é uma fonte de renda, a castanheira pode dar ao homem condições de permanecer na floresta.

“Se a gente conseguir implementar ou castanheira da Amazônia, ou qualquer outra espécie que dê lucro para o homem, ele vai se estabelecer na terra tirando seu sustento e a gente está conseguindo concluir que plantando castanheira da Amazônia o homem consegue tirar o seu lucro, consegue tirar seu sustento e você consegue proteger e restaurar a área”, disse Bastos.

Na área do estudo na Amazônia, Rodrigo analisou quatro tipos de solo: o da plantação de castanheiras, de um pasto, de trechos de floresta virgem e de floresta secundária, que é aquela que voltou a crescer depois da intervenção humana. Os resultados preliminares indicam que o estoque de carbono no solo da plantação de castanheira cresceu mais rapidamente que o da floresta secundária.

Segundo Rodrigo, se o objetivo é aumentar o estoque de carbono no solo, reflorestar uma área pode ser mais eficiente que abandoná-la para que a floresta se recupere naturalmente. “A sucessão natural acontece, mas ela acontece muito mais rápido quando tem a ajuda do homem. Não foi o homem que degradou, por que ele não pode ajudar? ”, afirma.

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