Piloto e Mecânica: mulheres na aviação quebram estereótipos, no AM

No Dia Internacional da Mulher, uma piloto e uma mecânica de aeronaves, únicas mulheres em seus setores, falam sobre sonhos, perseverança e espaço no mercado de trabalho

Manaus – Algumas profissões consideradas ‘masculinas’ no passado vêm, atualmente, abrindo espaço para atuação da mulher, resultado de muita luta e insistência por igualdade e melhoria nas condições de vida e trabalho. No dia 8 de março, comemorado o Dia Internacional da Mulher, o Portal D24AM conversou uma piloto de avião comercial e uma mecânica de aeronaves sobre a presença feminina nesses ambientes.

Jannaina Leite de Oliveira, 38, mecânica de aeronave do Batalhão de Aviação do Exército (Bavex), de Manaus, é a única mulher do setor. Ela conta que se inspirou no pai, mecânico agrícola, para escolher a profissão.

“Um dia um amigo meu me chamou para fazer um curso de mecânica de aeronave e eu resolvi fazer. Eu sou terceiro sargento e eu trabalho como mecânica de segundo escalão, onde eu desmonto todo o helicóptero, faço a revisão e monto novamente, é a mecânica pesada mesmo”, disse.

A mecânica de aeronave explica, ainda, que as mulheres hoje em dia estão ganhando espaço no mercado de trabalho e que não existe mais discernimento de serviço entre homem e mulher. “Os homens geralmente duvidam se a mulher vai conseguir fazer o serviço. Hoje, você vê mulher trabalhando em diversas profissões, podemos não ter a força física, mas a força de vontade, a capacidade de sofrer e ainda assim batalhar pelo que ela quer, nós temos muito mais do que os homens”, afirmou.

“Podemos não ter a força física, mas a força de vontade, a capacidade de sofrer e ainda assim batalhar pelo que ela quer, nós temos muito mais do que os homens”, diz Jannaina Leite, única mecânica de aeronave do Bavex

A piloto Crystheanny Queiroz de Ataide, 28, da MAP Linhas Aéreas, atualmente é a única co-piloto mulher da empresa, que atua na Região Norte. Ela conta que sempre gostou de avião e foi comissária de bordo durante seis anos, mas nunca achou que fosse possível chegar aonde chegou.

“A maior dificuldade foi à adaptação, por ser um ambiente bastante masculino, durante os estudos normalmente eu tinha que ficar em alojamento, aeroclubes, e são poucas mulheres. No Brasil, a maioria dos alojamentos são mistos, agora que eles estão começando a fazer os alojamentos separados”, disse Crystheanny.

A copiloto relata que, no início, os pilotos e co-pilotos homens se assustaram com a presença dela. “No começo eles não tinham muito assunto dentro da cabine, mas rapidinho isso foi acabando e hoje todo mundo me trata de igual para igual. Eu comecei a voar no ano passado e atualmente eu faço três voos na semana”, relatou, acrescentando que recebeu apoio dos pais, que venderam a casa para que ela fizesse o curso de piloto.

“No começo eles não tinham muito assunto dentro da cabine, mas rapidinho isso foi acabando e hoje todo mundo me trata de igual para igual”, disse a única mulher co-piloto da MAP Linhas Aéreas

Para Crystheanny, as mulheres devem acreditar no potencial que elas têm. “Precisamos correr atrás das nossas metas, independente da profissão, temos que acreditar nos sonhos. O mundo vai conspirar para você não conseguir, mas é preciso lutar. As mulheres precisam se impor e mostrar para o que vieram, porque a mulher pode sim ser o que ela quiser”, aconselha.