‘Pó mágico’ leva água potável a ribeirinhos do Amazonas

Em 2017, 44 milhões de litros de água foram tratadas em dez comunidades do Estado que utilizaram o material. O ‘pó mágico’ pode tratar 10 litros de água em apenas 30 minutos

São Paulo – Um ‘pó mágico’ está transformando a vida de mais de 16 mil pessoas que vivem em regiões ribeirinhas do Amazonas. O projeto Água Pura para Crianças, que distribui sachês purificadores de água em comunidades carentes, foi implantado há dois anos no Estado, mas uma campanha na internet quer ampliar e trazer água potável para mais famílias em todo o País. Uma campanha nacional quer ampliar o projeto com apenas um clique.

No ano passado, 44 milhões de litros de água foram tratadas em dez comunidades do Estado que utilizaram o material, segundo informou a parceira do projeto no Estado, Fundação Amazonas Sustentável (FAS).

Objetivo, segundo a empresa, é entregar, até 2020, 15 bilhões de litros de água potável em todo o mundo. (Foto: Jimmy Geber/RDC)

O projeto fornece um sachê de purificação de água, criado por cientistas da P&G, financiadora da ação. O ‘pó mágico’ pode tratar 10 litros de água em apenas 30 minutos e não funciona em águas com resíduos industriais.

O Amazonas faz parte das três únicas Unidades da Federação a receber a iniciativa. Além do Estado, outras duas outras localidades, Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e comunidades do extremo Sul da Bahia recebem o sachê.

De acordo com a presidente da P&G, Juliana Azevedo, o propósito é levar o produto às comunidades e, lá, funcionar como uma pequena estação de tratamento de água, que transforma água suja e contaminada em água limpa e pronta para beber.

Para participar da campanha ‘1 clique = 1 dia de água pura’, o interessado precisa acessar o site www.doeaguapura.com.br e clicar no botão de doação. O usuário será direcionado a uma página de cadastro e, após o registro, terá doado um dia de água pura para famílias das regiões atendidas pelo programa da P&G, incluindo as comunidades do Amazonas.

“Os sachês purificadores mostram como o poder de inovação da P&G pode melhorar a vida das pessoas. Essa iniciativa faz parte dos nossos esforços corporativos de identificar com nossos parceiros de negócio oportunidades para desenvolver outros tipos de projetos que unam a força e a expertise de cada empresa”, explica Juliana.

O presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, parceiro do projeto, explicou como funciona a mini estação de tratamento e como foi levar água a comunidades que antes nunca tinham consumido o líquido de forma cristalina e tratada. “Eu vi pessoas de 70 anos se impressionarem com a cor da água. Que nunca haviam tomado uma água tão limpa. É impressionante o que a falta de água e saneamento faz na vida de uma família, de uma criança. São 30 milhões no Brasil, que estão sem água limpa para beber e nas comunidades as pessoas passam essa água barrenta em um pano branco e acho que está boa para beber”, disse ele no evento de abertura da campanha, em São Paulo.

Cada sache trata 10 litros de água. Para completar a purificação feita por meio da solução contendo hipoclorito de cálcio (0,546%), o sachê precisa ser despejado totalmente na água. O conteúdo do balde precisa ser misturado por cinco minutos ininterruptos, no mesmo sentido. Após esse momento é que a mágica começa, conforme explicou a presidente da P&G.

Após os cinco minutos a água deve ser filtrada em um pano limpo e os ribeirinhos precisam aguardar 20 minutos para que a purificação seja completa, segundo explica a empresa.

Com maior reserva de água doce do mundo, Amazônia nem sempre tem água potável. (Foto: Arlesson Sicsú/Arquivo)

Doenças ligadas à má qualidade da água têm redução de 75%

Responsável por levar os sachês para dez comunidades, a gerente da FAS, Valdicleia Soledade, disse que a utilização do material foi acompanhada por agentes de saúde comunitários. De acordo com ela, a purificação da água proporcionou uma redução de 75% das doenças ligadas à má qualidade da água, como verminoses e viroses.

Em 2017, cerca de 445 mil unidades de sachês chegaram às comunidades Piagaçu-Purus, Amanã, Canumã, Uacari, Rio Madeira, Uatuamã, Mamirauá, Floresta de Maués e Catuá-Ipixuna.

“Para eles foi um divisor de água, uma vez que todas essas comunidades, em áreas de várzeas, geralmente na cheia é um problema essa questão dá água potável. O sachê tanto limpa e purifica a água quanto deixa a água transparente. No Purus e Solimões fica com muito sedimento a água, então para eles é como se fosse mágica”, disse.

Ela recorda a primeira vez que houve uma demonstração da ação do produto. Segundo ela, ao ver a terra e impurezas se separarem, os ribeirinhos levaram a mão à barriga. “Na primeira vez eles colocaram a mão na barriga e perguntaram se toda aquela terra estava lá”, relembrou Soledade.

Atualmente, além do uso diário em casa, os ribeirinhos que trabalham com manejo florestal e de pirarucu e passam dias dentro da floresta, levam apenas o sachê para tratar as águas dos rios e igarapés durante o serviço.

No ano passado, o documentário ‘Desafiando o Futuro: a Transformação da Água’, produzido pela National Geographic, mostrou os depoimentos das famílias que foram beneficiadas pelo programa Água Pura para Crianças. O Amazonas está entre os participantes e as gravações contaram com apoio da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), instituição responsável pela implementação do projeto na região.

No Brasil, o programa Água Pura para Crianças começou há mais de uma década, em 2004. De lá para cá, 11 bilhões de litros de água suja foram transformadas em água limpa em todo o mundo e, segundo a P&G , desse total 550 milhões de litros beneficiaram famílias em 16 países da América Latina. O objetivo, segundo a empresa, é entregar, até 2020, 15 bilhões de litros de água potável em todo o mundo.

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