Advogada de suspeito do ‘Caso Flávio’ questiona procedimentos da investigação

Catharina Estrela, responsável pela defesa do sargento da Polícia Militar Eliseu da Paz de Souza, relatou dificuldades de acesso ao inquérito e criticou o vazamento de informações

Manaus – Em meio ao andamento das investigações da morte do engenheiro Flávio Rodrigues, a advogada Catharina Estrela, responsável pela defesa do sargento da Polícia Militar Eliseu da Paz de Souza, relatou dificuldades de acesso ao inquérito, criticou o vazamento de informações e o assédio exagerado ao trabalho da polícia, por uma parte da imprensa, que visa induzir a opinião pública a ver o caso com questões políticas e, dessa forma, interferir no resultado final do trabalho de investigação.

O engenheiro Flávio Rodrigues, 42, foi encontrado morto, no bairro Tarumã, no dia 30 de setembro (Foto: Reprodução)

Ela citou com exemplo o fato de, na última quarta-feira (2), seu cliente prestar depoimento, e somente na sexta-feira (4) conseguir ter o acesso às informações do inquérito que já haviam sido ‘vazadas’ à imprensa.

“O que está acontecendo é que a imprensa está tendo acesso a documentação antes da defesa. Como exemplo, eu só tive acesso ao laudo necroscópico na sexta-feira à noite, e era um documento que embasava o pedido de prisão da polícia. Mas a imprensa já tinha esse laudo. Uma repórter me mostrou o documento antes”, afirmou a advogada.

A defesa do sargento também relatou que, ao solicitar acesso ao processo, após o depoimento de seu cliente, o titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), delegado Paulo Martins, alegou que não teria acesso ao documento.

“Eu questionei o delegado na hora que o documento chegou na delegacia e recebi a resposta que o escrivão já havia ido embora, trancado a sala, e naquele momento não teria mais como ter acesso ao inquérito. Por isso estamos criticando que a defesa dos acusados não está tendo acesso à documentação. É uma situação que está sendo criada para dificultar o nosso acesso e parecer que estamos falando coisas desconexas”, relatou Catharina.

Além disso, a advogada citou o que ela chama de uma “série de informações desencontradas” por parte da imprensa e destacou que a investigação tem que se prender ao que está no processo. “Eu realmente vou falar sobre o ocorrido no caso somente ao final das investigações, baseada no que está no processo. Não dá para ficar trazendo coisas de fora, senão a investigação nunca terminaria”, disse a advogada.

Ela se referiu a parte da imprensa que busca transformar o caso em um fato político, uma vez que Alejandro Molina, um dos envolvidos, é enteado do prefeito Arthur Virgílio Neto. “A investigação tem que seguir o código e, portanto, deve ser sigilosa. Quando vemos algo da lei sendo desrespeitado, a finalidade começa a ser duvidosa, e daí vemos se transportar para um ramo político, e aqui o prefeito Arthur não é réu em nada. Mas só se falam de coisas relacionadas a ele”, lembrou.

A advogada de defesa enfatizou que a investigação deve continuar seu trabalho baseada nos fatos que realmente constam no processo. E finalizou afirmando que toda a mídia exagerada em cima do caso pode criar um processo indutivo que venha atrapalhar o trabalho da polícia de alguma forma.

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