Advogado e estagiário de Direito são presos por acesso clandestino de informações sigilosas

Prisão é resultado da Operação Spy, deflagrada pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado, nesta segunda-feira (15)

Manaus – Na manhã desta segunda-feira (15), o Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) deflagrou a Operação Spy, que resultou na prisão de um advogado e um estagiário de Direito, por acessarem de forma clandestina informações sigilosas.

Resultado da Operação Spy foi apresentado na manhã desta segunda-feira (15), durante coletiva de imprensa (Foto: Renê Silva/Divulgação)

Segundo o delegado titular do DRCO, Rafael Allemand, o advogado e o estagiário tinham acesso à informações de processos e operações em andamento da própria Polícia Civil. As informações obtidas eram vendidas a alvos das investigações.

“Eles acessavam de forma clandestina esses processos e pegavam informações que estavam com sigilo judicial, identificavam os alvos dessas operações, entravam em contato com eles e depois passavam todo o andar das investigações. Nós temos materializados nesse procedimento investigativo que um dos alvos pagou, apenas por uma informação, R$ 40 mil”, explicou o delegado.

Segundo o DRCO, o estagiário envolvido trabalhava na Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), e ele recebeu a senha de um perfil para acessar os processos do órgão, mas por meio dessa senha também foi possível acessar outros processos sigilosos, incluindo da Polícia Civil do Amazonas.

“Ele foi estagiar no escritório do advogado. Com esse tipo de conhecimento, o advogado começou a acessar esses processos sigilosos também. Algumas investigações do DRCO que já tramitavam em torno de três meses, do nada pararam de produzir provas, tendo em vista que essa pessoa (o advogado) chamou, detalhou e cobrou por essas informações”, relatou Rafael Allemand.

As investigações tiverem o apoio do setor de tecnologia do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Segundo a Polícia Civil, o acesso às informações sigilosas já acontecia há cerca de um ano.

Um dos beneficiados desse esquema criminoso foi ‘Thiago Mineiro’, preso no dia 3 de junho deste ano. Ele é apontado como um dos traficantes mais importantes de uma organização criminosa e teria pago R$ 40 mil para receber informações sigilosas.

“A investigação ainda continua. Nosso objetivo foi cessar um acesso ilícito em investigações sigilosas, para posteriormente serem repassadas essas informações, com intuito de receber o dinheiro e prejudicar o trabalho da Polícia Civil como um todo”, destacou o delegado do DRCO.

Ainda na manhã desta segunda-feira (15), a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB-AM) se pronunciou por meio de nota, “A Ordem esclarece que está atuando tão somente para garantir o cumprimento das prerrogativas da custódia do advogado, por meio da Comissão de Defesa das Prerrogativas da Ordem. A OAB-AM informa que vai acompanhar o andamento das investigações”, finaliza a nota.