Agentes da Umanizzare tinham esquema para entregar celulares a presos, diz Seap

Um dos agentes penitenciários foi flagrado tentando entrar na UPP com 11 celulares e R$ 300 em espécie. Após ser flagrado, ele ainda ameaçou um dos supervisores

Manaus – Um esquema montado para entregar aparelhos celulares para internos da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) foi desmontado, na manhã deste sábado (2), pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). O esquema foi descoberto quando o agente de socialização da empresa Umanizzare Gestão Prisional, Alex William Alves Monteiro, foi flagrado tentando entrar na unidade com 11 celulares e R$ 300 em espécie. Dois agentes também são acusados de entrar na unidade com materiais ilícitos e outros seis de facilitar a ação.

Materiais apreendidos pela polícia seriam entregues à detentos (Foto: Divulgação/Seap)

Segundo relatos, o agente flagrado iria levar os aparelhos para internos da galeria 5. A Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) apoiou a Seap na ocorrência na casa de um ex-funcionário, acusado de participar do esquema, onde encontrou uma arma de fogo.

Depois de ouvidos pela Seap, os acusados foram encaminhados ao 19º Distrito Integrado de Polícia (19º DIP) para os procedimentos de flagrante.

A ação do agente Alex Monteiro iniciou quando o mesmo adentrou à unidade, por volta de 6h. Ele passou pelo procedimento de revista e, depois, se dirigiu à sala do serviço social, na área da relatoria, e abriu a janela da sala. Depois, Alex retornou ao carro e colocou os celulares pela janela da sala do social, e voltou para pegar os aparelhos, quando foi flagrado pelo supervisor do turno da noite.

Alex ameaçou o supervisor, dizendo que se ele o entregasse sofreria consequências. O agente foi impedido de sair da sala do social por outros funcionários da empresa, que acionaram a equipe da Seap de plantão na unidade. O mesmo confessou que sairia da sala e passaria pela revista com os celulares sem ser impedido, pois os agentes já sabiam do esquema e iriam colaborar.

Ao ser interrogado na Unidade, Alex entregou mais dois agentes que estariam participando do esquema: Anderson da Silva Viena e Cleberson da Silva dos Santos. O No celular do agente foi constatado que havia conversas dele com os presos que receberiam os celulares e com um ex-agente da empresa. Na conversa com o ex-agente, Alex tinha combinado um ponto de encontro para buscar mais material ilícito. A equipe da Seap, com o apoio de policiais militares da Rocam, foi à residência do ex-agente onde encontrou uma arma de fogo.

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Ocorrência foi registrada na UPP (Foto: Sandro Pereira)

Por meio de nota, a Umanizzare esclareceu que um dos agentes acusados foi identificado pelos supervisores da própria Umanizzare na área administrativa. A nota informa que, como é padrão na cogestão da unidade, os agentes de socialização da Umanizzare, quando denunciado, apurado ou constatado ato indisciplinar ou infracional cometido por qualquer de seus colaboradores, a Umanizzare toma de imediato as providências cabíveis.

Neste caso, as denúncias são encaminhadas à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) do Amazonas. A empresa cogestora da UPP informou, ainda, que que todos os funcionários são submetidos à revista e à fiscalização diárias pelos agentes públicos competentes.

***Atualizada em 03/09, às 14h40, com a nota da Umanizzare Gestão Prisional

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