Agentes da Umanizzare cobravam R$ 500 para entregar celulares a detentos na UPP, diz polícia

Alex William Alves Monteiro, 37, e Cleberson Silva dos Santos, 30, foram presos por participar de esquema que facilitava entrada de celulares da Unidade Prisional do Puraquequara, em Manaus

Manaus – Os agentes Alex William Alves Monteiro, 37, e Cleberson Silva dos Santos, 30, da empresa Umanizzare, que administra os presídios de Manaus, foram presos nesta sexta-feira (8) suspeitos de participar de um esquema para facilitar entrada de aparelhos celulares na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP). As prisões, realizadas em cumprimento a mandados de prisão por corrupção passiva e ativa, ocorreram em zonas distintas da capital. De acordo com a polícia, os agentes cobravam R$ 500 para a entrada de cada celular no presídio.

A dupla foi presa nesta sexta-feira, em zonas distintas da capital (Foto: Divulgação/ Polícia Civil)

De acordo com o delegado Paulo Benelli, titular do titular do 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o esquema foi descoberto no último sábado (2) quando Alex William foi flagrado tentando entrar na UPP com 11 aparelhos celulares e R$ 300 em espécie. Ao todo, dez pessoas foram conduzidas ao 19º DIP no dia, por volta das 17h,  suspeitas de participação no esquema e um inquérito foi instaurado para dar início às investigações em torno do caso.

“Desde o dia em que foram conduzidos, no ultimo sábado, a gente passou a ouvir todos os agentes de socialização, e ouviu também outros que não eram mais agentes, assim como o pessoal da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). A partir daí começamos a trilhar investigação que chegou à participação efetiva desses dois, não só no ingresso de material telefônico  dentro do presídio, também com corrupção ativa e passiva, e acreditamos numa organização criminosa com divisão sistemática de tarefas e hierarquia. Estamos apurando também se há ligação com outra facção”, disse o delegado.

Benelli explicou que o modus operandi da organização funcionava com os agentes ligando para os familiares dos detentos e a fim de verificar se eles precisam de celulares e, então, os familiares procuravam os agentes corruptos. “Se os parentes quisessem era R$ 500 por celular para poder realizar o ingresso (na UPP). Um outro agente de socialização passava para buscar o dinheiro e o celular. O agente entrava com o aparelho porque era isento de revista”, disse o delegado.

Ainda segundo Benelli, não foi verificado se os agentes entravam com armas ou drogas ou se trabalhavam em função de alguma facção criminosa. “Estamos apurando, eles não confessaram dinheiro, drogas, armas, ou cigarros, afirmaram que era apenas celular. Eles trabalhavam para qualquer detento, visavam o lucro deles”, afirmou.

Em decorrência das diligências os mandados de prisão preventiva foram representados à Justiça e expedidos no último domingo, dia 3, pela juíza Careen Aguiar Fernandes, no Plantão Criminal.

Dupla chegou a ser liberada

Após o agente ser flagrado com os aparelhos celulares, o delegado geral adjunto, Ivo Martins, informou que a Polícia Civil (PC) recebeu uma ligação da Seap, no último sábado (2), solicitando procedimentos policiais para desmontar uma organização criminosa, formada por agentes penitenciários. Segundo Martins, ao facilitar a entrada de celulares na prisão, os agentes penitenciários praticavam a infração penal 319-A.

Conforme o Código Penal Brasileiro, a infração é “deixar o diretor de penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo. A pena de detenção para quem comete a infração é de 3 meses a um ano.

No sábado, Alex e Cleberson foram levados ao 19º DIP. Na ocasião, eles assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e passaram a responder pelos crimes em liberdade, pois o fato de terem colaborado repassando informações para a PC, sobre o esquema de entrada de celulares, na UPP, deu a eles a possibilidade de responder em liberdade, atenuação prevista em lei.

Martins disse, ainda, que recebeu um telefonema do Governo do Estado, solicitando investigações acerca da organização e que a problemática dentro das prisões do Estado é uma prioridade.

Prisões

De acordo com a polícia, as prisões contaram com o apoio de servidores do Departamento de Inteligência Penitenciária (Dipen), da Seap. Alex William foi preso por volta das 10h, em um prédio comercial situado na Avenida Jacira Reis, bairro Dom Pedro, zona centro-oeste. Já Cleberson foi preso por volta das 13h, na casa onde morava, localizada na Rua Barcelos, Comunidade Nova Conquista, bairro Tancredo Neves, zona Leste da capital.

Alex e Cleberson serão indiciados por corrupção passiva e ativa. Ao término dos trâmites legais, os infratores devem ser levados ao Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), onde irão permanecer à disposição da Justiça.

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