Após rebelião e fuga de presos, moradores de Canutama denunciam insegurança

Populares cobram o poder público do Estado por mais viaturas e policiais no município. Nove presos da delegacia da cidade estão foragidos

ManausApós uma rebelião ocorrida na Delegacia Interativa de Polícia de Canutama (a 619 quilômetros a sudoeste de Manaus), na manhã deste domingo (4), que ocasionou a fuga de nove detentos, moradores denunciam a falta de policiamento e a insegurança no município. Durante a ação dos presos, neste domingo, a unidade policial foi depredada.

Um morador de 35 anos, que pediu para não ter o nome divulgado, relatou que sua casa fica próximo à delegacia e que, durante a rebelião, havia apenas um policial de plantão. “Aqui na cidade, todos comentam que os presos fazem uso de drogas e bebidas alcoólicas, na delegacia, eles possuem acesso a todas essas coisas”, contou.

Presos depredam delegacia de Canutama durante rebelião (Foto: Divulgação/PM)

O morador relata, ainda, que a cidade possui poucos policiais para atender as demandas e que, na maioria das vezes, a polícia demora a agir e chegar às ocorrências, pois as viaturas não funcionam. “A cidade não tinha delegado, chegou uma delegada recentemente, há cerca de uma semana. A segurança é muito precária, tem muito roubo e confusão. Falta policiamento e falta preparação para os poucos policias que temos aqui”, acrescentou.

Um vigilante de monitoramento, de 27 anos, que também pediu para ter a identidade preservada, procurou a reportagem para denunciar a situação. Ele é natural de Canutama mas mora há sete anos em Manaus, e conta que se sente preocupado quando recebe as informações dos acontecimentos atuais de sua cidade.

Os familiares dele ainda residem na cidade e os relatos sempre são negativos, segundo ele. “Eu fico muito preocupado, pois não sabemos o que pode acontecer, é uma situação complicada. Meus familiares sempre relatam a falta de segurança, além do tráfico de drogas, que está invadindo a cidade. Antigamente, no tempo que eu morava lá, não existia isso. Hoje, até crianças estão vendendo drogas nas esquinas”, disse.

Ainda segundo o vigilante, a cidade possui pouco mais de 15 mil habitantes, uma delegacia e apenas sete policiais atuando na segurança, revezando entre turnos. Sobre a falta de delegados, o homem relatou que, geralmente, eles ficam pouco tempo atuando na cidade.

“O último fazia de tudo para ser transferido. Ele pegava o material do roubo, capturava o suspeito e ainda assim dizia que não tinha provas suficientes que motivassem sua prisão, e soltava o suspeito. Ele era muito negligente”, denunciou.

A SSP-AM informou, por meio de nota, que está adotando medidas para reforçar a estrutura de policiamento no interior. A Secretaria de Segurança informou, ainda, está em processo para adquirir novas viaturas, atendendo a todo o Estado, e planeja um novo concurso público para ampliar o efetivo de policiais civis e militares na capital e interior.

Com relação a Canutama, a Polícia Militar informou, por meio da SSP, que o efetivo na cidade é capaz de atender as ocorrências e, quando é necessário, reforço policial é deslocado. A cidade é tranquila e a situação registrada na delegacia foi um fato isolado.

Rebelião na delegacia

Na manhã deste domingo, os presos atearam fogo em colchões, destruíram as celas e quebraram a vidraça da delegacia. A rebelião iniciou por volta das 7h e foi controlada por volta das 10h, após a chegada de dez policiais militares no local, conforme informação do tenente Laurênio Silva, comandante do batalhão da Polícia Militar (PM) em Lábrea. Na ocasião, nove detentos fugiram e 14 detentos se entregaram, segundo a Polícia Civil (PC).

Na ocasião, nove detentos fugiram e 14 detentos se entregaram, segundo a Polícia Civil (Foto: Divulgação/PM)

Segundo o tenente, a rebelião iniciou porque os presos exigiam direitos humanos, juiz, promotor no município, e também, reclamavam da comida servida na delegacia. Dos 23 presos que estavam detidos na delegacia, segundo informou a PC, nove conseguiram fugir e ainda não foram localizados. Os 14 presos capturados estão na unidade, esperando consertar as celas.

Em nota, a PC informou que uma equipe formada por policiais civis do Departamento de Polícia do Interior (DPI) e grupo da elite Força Especial de Resgate e Assalto (Fera) e militares do Comando de Operações Especiais (COE) estão se deslocando para a localidade para recaptura dos foragidos, verificação da ocorrência e instauração dos procedimentos cabíveis.

***Matéria atualizada às 21h, para acréscimo da nota da SSP.

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