Corregedoria-Geral de Segurança Pública deve investigar morte de pedreiro

Ricardo Chuansky Souza Monteiro, 23, foi morto, no fim da tarde de segunda-feira (23), no Alvorada. O irmão da vítima, Carlos de Souza Monteiro, afirma que o autor dos disparos foi um policial militar

Manaus – A Corregedoria-Geral de Segurança Pública e a Unidade de Apuração de Ilícitos Penais (UAIP) deverão investigar a morte do pedreiro Ricardo Chuansky Souza Monteiro, 23, conforme informações da Polícia Civil (PC). O pedreiro foi morto, no fim da tarde desta segunda-feira (23), na Rua Aurélio Buarque, bairro Alvorada, zona centro-oeste da cidade. O irmão da vítima, Carlos de Souza Monteiro, afirma que o autor dos disparos foi um policial militar.

Nesta terça-feira (24), a PM afirmou que irá aguardar a instauração da investigação por parte da PC, e, caso seja comprovado ‘erro policial’, uma sindicância será aberta. (Foto: Jimmy Geber)

Segundo Carlos, era por volta das 16h quando dois policiais chegaram em uma viatura, desceram e efetuaram, pelo menos, cinco disparos. Neste momento, Ricardo estava indo jogar bola, como costumava fazer todos os dias. “O meu irmão ia passando pra ir para o campo, quando percebeu que estavam atirando e correu junto com outros meninos que estavam na rua”, contou Carlos.

De acordo com a PC, o caso foi registrado no 10º Distrito Integrado de Polícia (DIP), na tarde desta terça-feira (24) e, segundo o Boletim de Ocorrência (BO), policiais militares da 10ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) receberam uma denúncia informando que estava sendo realizado o comércio de drogas no ‘Campo do Curubal’.

Conforme a PC, ao chegar no local informado, os policiais encontraram Emerson Seixas da Silva, 32, Ronaldo dos Santos Rosa, 20, e Ricardo, onde houve troca de tiros e Ricardo veio a óbito. Conforme o BO, eles tinham em posse 35 trouxinhas e mais uma porção de maconha.

Na versão do irmão da vítima do homicídio, os policias pegaram Ricardo e mais quatro meninos, de nomes não divulgados, e os levaram para uma área de mata, que fica próxima ao local. “Eles (PMs) levaram os meninos para a mata, torturam eles, queriam que eles falassem onde era a ‘boca’”, disse.

Carlos denunciou, ainda, que os policiais tentaram ‘forjar’ a cena do crime, colocando uma arma na mão de Ricardo. “Eles colocaram a arma na mão esquerda, mas meu irmão não é canhoto”, acrescentou.

De acordo com o BO, um revólver calibre 38, com cinco munições deflagradas, foi apreendido, e Ronaldo, que estava com um ferimento no pé, foi encaminhado ao Hospital e Pronto Socorro (HPS) 28 de Agosto, onde recebeu atendimento médico.

Emerson e Ronaldo foram autuados em flagrante pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, tráfico de drogas e associação para o tráfico de drogas. Segundo a PC, uma pistola calibre 40 foi apreendida para apurar o homicídio por intervenção policial.

A reportagem tenta contato com a assessoria de imprensa da Polícia Militar (PM) desde a noite de segunda-feira. Nesta terça-feira, o Capitão Anderson Saif afirmou que a PM iria aguardar a instauração da investigação por parte da PC, e, caso fosse comprovado ‘erro policial’, uma sindicância seria aberta. A assessoria afirmou, ainda, que mandaria o registro da ocorrência, com os relatos dos militares. Até o fechamento desta matéria, nenhuma reposta foi enviada.

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