Despachantes clandestinos falsificavam documentos de veículos para quadrilhas de assaltantes

O grupo contava até com um presidiário que comandava o esquema criminoso de dentro do presídio. ‘Batman’ e ‘Maluquinho’ estão entre os presos da operação contra roubo de veículos

Manaus – Chamados de “zangões”, despachantes presos pela polícia, nesta quarta-feira (9), eram clandestinos e responsáveis pela adulteração de documentos da maioria dos veículos roubados e furtados em Manaus e praticado por diferentes quadrilhas de assaltantes. O grupo contava até com um presidiário que comandava o esquema criminoso de dentro do presídio. Os despachantes não eram credenciados no Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM).

A prisão aconteceu na manhã desta quarta durante a operação ‘Chancela’ em diferentes bairros de Manaus, principalmente, na zona leste da capital. Os despachantes presos são: Fábio Ferreira Nunes, 29, Jackson Norberto de Souza Silva, 40, o ‘Batman’, Janderson da Costa Menezes, 23, o ‘Maluquinho’, James de Oliveira Silva, 60, Kaliane Campos Chagas, 32, Ketlen Soares Souza, 19, e Raimundo Nonato Rebelo, 64. Também foram presos Ana Paula Lopes e Silva, 24, por tráfico de drogas, e Ezirdo Barros Matias, 29, por receptação.

Na gíria, entre os criminosos, a adulteração dos Certificados de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) é chamada de “esquentar”. “Eles pegam esses veículos que já foram roubados ou furtados, esquentam (adulteram) toda a numeração deles nos documentos e os revende por um preço bem aquém no mercado”, detalhou o delegado Rafael Allemand, titular da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (DERFV).

A maioria dos presos já tinha algum histórico criminal, Entre eles: ‘Batman’ e ‘Maluquinho’, principais alvos da operação. “Maluquinho está preso, por esses mesmos crimes, há dois anos, mas de dentro da prisão continuava comandando os crimes”, disse Allemand, acrescentando que o presidiário alargava o esquema criminoso para o interior do Estado.

Durante a operação, a polícia apreendeu computadores, notebooks, impressoras e documentos CRLV em branco do Detran-AM. De acordo com o delegado, a operação continua para prender o responsável por retirar o documento veicular em branco. Cada CRLV era comprado por R$ 150 ou R$ 200 e, segundo o titular da DERFV. CRLVs preenchidos e em branco foram apreendidos pela polícia.

“O contato deles eram normal no mundo do crime. Quem conseguisse um carro, e quisesse legalizá-lo, procuravam o grupo”, afirmou Allemand, acrescentando que, depois de adulterado, o documento veicular era vendido por, no mínimo, R$ 500.

O Detran informou que os CRLVs envolvidos no esquema criminoso fazem parte do lote dessa documentação que foi roubado, em 2012, em Iranduba (a 27 quilômetros a sudoeste de Manaus). Conforme o Detran, o controle de quem entra na nova sede da instituição está mais exigente e é feita uma triagem por serviço procurado e agendado. Os sete despachantes foram presos em cumprimento a mandados de prisão preventiva expedidos pelo juiz de Direito Genesino Braga Neto, da 10ª Vara Criminal.

Jackson, Janderson, James, Kaliane, Ketlen e Raimundo foram indiciados por falsificação de documento público e associação criminosa e serão encaminhados à Central de Recebimento de Triagem (CRT) do Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), na zona rural de Manaus. Fábio, Ana Paula e Ezirdo serão levados para Audiência de Custódia, no Fórum Ministro Henoch Reis, na zona sul de Manaus.

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