Dupla é presa por vender imóveis e carros e não informar que era consórcio

De acordo com informações do 23º DIP, Felipe Ferreira de Souza, 34, e Francielle Barros de Souza, 23, vendiam casas e automóveis prometendo a entrega das compras em 30 dias

Manaus – O supervisor Felipe Ferreira de Souza, 34, e a vendedora Francielle Barros de Souza, 23, foram presos, na manhã desta segunda-feira (11), durante a operação ‘Bridão’, em uma empresa que atuava com fraudes na venda de imóveis por meio de consórcio, no bairro Parque Dez, zona centro-sul. Eles ofereciam imóveis e automóveis para venda, informando que o comprador receberia a compra no prazo de 30 dias, mas, na verdade, as vítimas estavam comprando uma carta de consórcio.

Segundo o delegado titular do 23º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Henrique Brasil, o intuito da operação era desfazer uma quadrilha que atuava em uma empresa de fachada. Eles ofereciam imóveis, carros e motocicletas em aplicativos, como Facebook e OLX. “Eles ludibriavam seus clientes, a partir do momento em que eles vendiam esse material. Quando a pessoa imaginava que estava adquirindo esse tipo de imóvel, na verdade, estava adquirindo uma carta de consórcio”, explicou.

Felipe Ferreira de Souza, 34, e Francielle Barros de Souza, 23, foram presos e apresentados, nesta segunda-feira (11) (Foto: Divulgação/Stephane Simões)

No momento em que a polícia realizava a operação, 18 pessoas estavam fazendo treinamento para atuarem como vendedores. Conforme o delegado, no treinamento, os vendedores eram informados que não poderiam dizer aos clientes que eles estavam vendendo consórcio.

Atuação

A quadrilha atuava de duas maneiras. Eles usavam fotos de casas de outros estados, publicavam como se fossem aqui da capital, oferecendo para venda. A outra forma de atuação era buscar imóveis no Estado, que estavam, de fato, à venda. Eles entravam em contato com o vendedor do imóvel, e, em seguida, levam pessoas interessadas em comprar a casa e apresentavam o imóvel.

“O Consórcio Jockey existe no Brasil todo e tem uma empresa específica aqui no Estado que era representada por esta outra empresa. Inicialmente, ela funcionava no centro da cidade. Em determinado momento, eles se mudaram, montaram uma loja no Parque Dez, e iam montar outra no bairro Cidade de Deus”, disse o delegado. Vale ressaltar que a dupla representava o consórcio em Manaus, mas existem outros representantes da marca.

Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de prisão, além de busca e apreensão dos materiais e condução coercitiva das pessoas que estavam no local. No total, outros 11 funcionários foram conduzidos para a delegacia para serem ouvidos.

“Enquanto estávamos cumprindo os mandados, outras três pessoas foram lá para fechar negócio. Conversando com eles, fomos informados que eles iriam pagar a entrada e com 30 dias receberiam o imóvel, sendo que, na verdade, eles estavam adquirindo uma carta de consórcio”, acrescentou o delegado.

Nove Boletins de Ocorrências (BOs) foram registrados no 23º DIP. Das vítimas que registraram a denúncia, metade afirmou que os consórcios teriam sido vendidos pela Francielle e todos os contratos foram assinados por Felipe, informou o delegado titular. “É incalculável o número de vítimas. No 23º DIP temos nove vítimas, mas, conforme estamos analisando, provavelmente, a gente tenha mais de 100 pessoas”, afirmou.

A dupla foi indiciada por estelionato. Francielle será conduzida ao Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF) e Felipe para o Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM).