‘Ele disse ao delegado: não te falei que eu ia te pegar, demorou, mas eu te peguei’, afirma testemunha

A testemunha confidencial disse que estava cerca de dez metros do local onde o delegado foi executado

O julgamento iniciou na manhã desta sexta-feira (Foto: Eraldo Lopes)

Manaus – “Ele ajoelhou e implorou que não matassem o neto dele. Dizia ‘me matem, mas não matem o meu neto’ e, mesmo assim, os atiradores continuaram disparando tiros. Em seguida, um quarto homem desceu do carro, ele era branco, tinha cavanhaque e disse ‘não te falei que eu ia te pegar, demorou, mas eu te peguei’”, declarou a primeira testemunha a ser ouvida no julgamento de João Pinto Carioca, o João Branco, e outros suspeitos de planejar e executar o assassinato do delegado da Polícia Civil do Estado do Amazonas, Oscar Cardoso Filho. Após a leitura da denúncia, feita pelo juiz Anésio Pinheiro, o depoente, não identificado, entrou no plenário do júri do Fórum Ministro Henoch Reis, de túnica preta e encapuzado.

Ao juiz, a testemunha confidencial disse que estava cerca de dez metros do local onde o delegado foi executado e viu quando um veículo, modelo Grand Siena, chegou na rua e três homens, armados com pistolas, desceram para abordar Oscar Cardoso. O depoente declarou que os suspeitos questionaram se a vítima era da polícia e, após a confirmação, começaram a atirar.

Diante das declarações do depoente, os advogados de defesa dos réus tentaram desestruturar o depoimento, questionando como ele teve capacidade de ouvir todas as falas dos acusados numa distância de dez metros. Nesta primeira parte do julgamento, por diversas vezes, o juiz indeferiu as perguntas, alegando que as mesmas estavam repetitivas.

O advogado do João Branco, José Maurício Neville, questionou como a testemunha chegou ao processo e ela informou que, na mesma noite do assassinato, três delegados a procuraram.

Dos acusados, apenas Marcos Pará e João Branco demonstraram nervosismo, passando a mão na cabeça o tempo todo. Único réu por meio de videoconferência, João Branco está acompanhando o julgamento ao lado de um advogado de apoio, Luiz Henrique Baldissera, na Penitenciária Federal de segurança máxima no município de Catanduvas, no Paraná.

O julgamento começou às 11h20, com a leitura da acusação. Em seguida, aconteceu o sorteio dos jurados, quatro homens e três mulheres. No total, foram relacionadas dez testemunhas, mas somente sete serão ouvidas. Três foram dispensadas.

Denúncia

Na leitura da denúncia, o juiz Anésio Pinheiro citou que o delegado assassinado organizou uma operação no bairro onde a mulher do João Branco morava e, durante a ação, ela foi estuprada por um policial militar. A partir daí, João, que, na época estava no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), tinha, segundo a denúncia, regalias, organizou uma lista de pessoas que deveriam morrer por conta do estupro.

Entenda o caso

Com base no inquérito policial, o Ministério Público do Estado denunciou cinco pessoas envolvidas na execução do delegado. João Pinto Carioca, o João Branco, é o acusado de ser o principal mandante do crime.

O narcotraficante João Branco vai acompanhar o julgamento por videoconferência e dará seu depoimento direto da Penitenciária Federal de segurança máxima no município de Catanduvas, no Paraná.

Marcos Roberto Miranda da Silva, o Marcos Pará, preso na penitenciária de Mossoró, no Rio Grande do Norte, já chegou ao Fórum Henoch Reis, no Aleixo, para acompanhar o julgamento. O suspeito veio escoltado pela Polícia Federal (PF) para depor presencialmente no julgamento.

Ainda serão julgados o empresário Mário Jorge Nobre Albuquerque, Mário Tabatinga; Messias Maia Sodré e Diego Bruno de Souza Moldes.