Familiares e amigos de adolescente baleado na cabeça fecham avenida em protesto

A PM sustenta a versão de que o jovem entrou em confronto com os policiais, quando foi baleado. Mãe afirma que o filho, que segue em estado gravíssimo, estava jogando futebol

Manaus – Familiares e amigos de Emanuel Menezes Pantoja, 15, atingido na cabeça por um tiro de pistola ponto 40, durante uma ocorrência de policiais militares da Força Tática, voltaram a protestar, no início da noite desta terça-feira (17), na avenida Camapuã, comunidade Nossa Senhora de Fátima 2, bairro Novo Aleixo, zona norte da capital. O adolescente segue internado em estado gravíssimo, com o projétil alojado na cabeça, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, zona leste da capital, conforme informações da mãe do jovem, a garçonete Geimara da Silva Menezes, 31.

Segundo a mãe, Emanuel foi atingido com um tiro na cabeça enquanto jogava futebol com um grupo de amigos, no beco Abel, bairro Nossa Senhora de Fátima 1, na tarde de segunda-feira (16). Porém, a Polícia Militar (PM) sustenta a versão que o adolescente estava armado com um revólver calibre 38, e atirou contra a viatura ao avistar os policiais.

Um revólver calibre 38 e porções de drogas foram apresentados pelos policiais da Força Tática, na noite de segunda-feira, na Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai), como sendo do adolescente.

Com faixas e cartazes, um grupo de, pelo menos, 40 pessoas interditou parte do sentido Centro/Bairro da avenida Camapuã, nas proximidades do Terminal 4 (T4), onde pediram Justiça e rapidez na apuração do caso.

Geimara informou que registrou um Boletim de Ocorrência (BO) no 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP), e também levou o caso ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPEAM). “Meu filho está entre a vida e a morte no hospital, e os policiais que fizeram isso estão impunes. Atiraram em um inocente”, disse.

Cinco viaturas da PM acompanharam o protesto, que terminou por volta das 18h40, de forma pacífica. Essa foi a segunda manifestação dos moradores da comunidade Nossa Senhora de Fátima 1 e 2, em menos de 24 horas.

Na noite de segunda-feira, o ato terminou em confronto com policiais militares da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam). Moradores soltaram rojões e fogos de artifícios e os policiais revidaram com bombas de efeito moral e balas de borracha.