Menino baleado em briga de facções morre em hospital

Jorge Gustavo Silva Santos, de 12 anos, estava internado desde o último dia 12. A família denuncia que os aparelhos que o mantinham vivo foram desligados sem autorização

Manaus – Jorge Gustavo Silva Santos, de 12 anos, faleceu no início da noite desta segunda-feira (18), no Hospital e Pronto-Socorro Infantil João Lúcio (Joãozinho), que fica na zona leste de Manaus. Ele foi baleado na cabeça no dia 12 de maio e estava internado na unidade de saúde desde então. A família denuncia que o hospital desligou, sem autorização, os aparelhos que mantinham Gustavo vivo.

Os familiares relataram que a mãe de Gustavinho, como era conhecido, foi na sexta-feira (15) ao hospital e foi informada sobre a morte encefálica (morte cerebral) do menino. “A família foi chamada, a mãe dele foi ao leito e ele estava respirando por aparelhos. Foi informado que ele tinha morte cerebral e que os aparelhos iam ser desligados. A mãe não permitiu, mas a médica disse que não estava pedindo, que só estava informando que os aparelhos iam ser desligados”, informou Izaú Silva, tio da vítima.

Gustavinho foi atingido por uma bala na cabeça quando estava em frente a uma igreja, no bairro Compensa, no último dia 12 (Foto: Divulgação)

Segundo o boletim do Instituto Médico Legal, a morte do menino foi confirmada às 15h40 de segunda-feira (18). A causa foi traumatismo craniano encefálico, causado por arma de fogo. Gustavo foi ferido com um tiro na noite do dia 12 de maio, quando estava em frente a uma igreja, na Rua 21 de Junho, bairro Compensa zona oeste. A polícia contou que se tratava de uma briga entre facções, na qual homens foram ao local para assassinar Kevyn Pedrosa Alves, 23, vulgo ‘Kevinho’, que estava em uma banca que vende churrasco. Vários tiros foram disparados e mataram Kevinho. Um homem de 28 anos foi atingido no pé, e Gustavinho foi atingido na cabeça.

Na mesma noite, Gustavinho foi levado ao Serviço de Pronto Atendimento (SPA) Joventina Dias, também na Compensa, mas pela gravidade do ferimento foi levado a ‘Joãozinho’, na zona leste.

Segundo a Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas (Susam), o paciente chegou em estado gravíssimo e passou por uma cirurgia neurológica de três horas, devido a um ferimento de arma de fogo que atravessou a cabeça, fazendo-o perder massa encefálica e ter que ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A direção do hospital informou que foi seguido o protocolo de morte encefálica, conforme o estabelecido pelo Ministério da Saúde, e que, durante os seis dias de internação, a criança foi acompanhada pela equipe multidisciplinar, formada por médicos especialistas, psicólogos e assistentes sociais.

A médica responsável pela UTI informa que conversou com a família antes de encerrar o protocolo para morte encefálica. O documento com os procedimentos será avaliado pela gestão da Secretaria para caso de esclarecimentos sobre a conduta médica adotada.

O procedimento adotado foi a ortotanásia, que vem do grego Orthos, que significa correta, e Thánatos, que significa morte. Ortotanásia é o nome dado à conduta que os médicos tomam quando, ao verem que o estado clínico do paciente é irreversível e que sua morte é certa, permitem que o paciente faleça, a fim de poupar-lhe mais sofrimento.

No Brasil, foi publicada em 2006, pelo Conselho Federal de Medicina, a Resolução nº 1.805, visando a regulamentação da ortotanásia no País. Mas só em 2010 foi autorizada pelo Ministério Público Federal no novo código de ética médica. Nessa perspectiva, a morte passa a ser vista como uma condição natural de todo ser humano, garantindo a dignidade daquele que está partindo.

A família de Gustavinho informou que está providenciando o enterro do menino e, após o enterro, vai registrar um Boletim de Ocorrência em delegacia para depois levar o caso à Justiça, já que não houve vontade do paciente que estava em coma e nem autorização da família para que o procedimento fosse adotado.

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