Mulher acusa PMs de torturarem e matarem o companheiro dela, em Envira

Três policiais militares chegaram à casa onde Roney da Costa Nascimento, 40, morava com a mulher, chamando por ele. Os PMs foram até o imóvel para atender uma denúncia de lesão corporal

Manaus – Parentes de Roney da Costa Nascimento, 40, suspeitam que ele morreu após ter sido torturado, na tarde desta terça-feira (8), em Envira (a 1.208 quilômetros a sudoeste de Manaus). O homem chegou sem vida ao hospital da cidade, depois de ser procurado, em casa, por policiais militares (PMs).

O homem chegou sem vida ao hospital da cidade, depois de ser procurado, em casa, por policiais militares. (Foto: Divulgação/Naélia Furtado)

De acordo com a companheira de Roney, a dona de casa Naélia Maria Furtado da Silva, 26, o homem saiu de casa e foi buscar os dois filhos dela. Em seguida, Roney levou as crianças para o pai delas, ex-marido da dona de casa, de nome não divulgado. O atual companheiro de Naélia tinha boa convivência com o ex-marido, segundo ela.

Além de deixar as crianças, Roney entregou um número de telefone para o ex-marido da mulher. Apesar de se darem bem, Roney empurrou o homem e o ex-marido de Naélia disse que iria denunciá-lo à polícia. Ao voltar para casa, segundo Naélia, Roney contou o que havia acontecido.

Em seguida, três policiais militares chegaram à casa, chamando por Roney, para atender a denúncia. Segundo Naélia, Roney seria ouvido na delegacia da cidade. “Me disseram que era para ouvir as duas partes da situação. Pediram que ele levasse a identidade dele e que ele vestisse uma camisa”, disse. Ao perceber que o companheiro estava demorando para voltar para casa, Naélia foi até a delegacia e disse ter descoberto que Roney não esteve lá.

Naélia disse que ainda estava no local, quando os policiais que pegaram Roney chegaram à delegacia. A viatura policial estava suja de barro, segundo ela, e os policiais passaram direto, sem falar nada, e se dirigiram ao delegado. Após isso, Naélia disse ter obtido a informação de que o companheiro estava no hospital.

“No hospital, me disseram que ele já chegou morto. Fiquei sem acreditar”, disse a dona de casa, acrescentando que Roney estava com o rosto inchado, com hematomas pelo corpo, principalmente nas costas, e com a bermuda suja de barro. Ainda segundo Naélia, Roney não passou por autópsia, pois não há a realização desse exame em Envira.

A dona de casa disse que vai à delegacia, nesta quarta-feira (9), para depor.

Segundo o tenente da PM, F. Cerqueira, Roney foi levado à delegacia para prestar depoimento a respeito da denúncia de lesão corporal, mas, durante o percurso, passou mal e foi transportado para o hospital do município. O tenente nega a denúncia de tortura. “Ele sofria de ataque cardíaco e isso não foi passado para guarnição. No deslocamento, verificamos que ele estava passando mal, estava vermelho e o levamos para hospital”, disse.