Mulher torturada por companheiro foi forçada a beber a própria urina, diz PC

A mulher prestou depoimento à Polícia Civil e afirmou que a tortura durou quase três dias e iniciou porque ela tentou ver o celular do companheiro

Manaus – A mulher, de 20 anos, que teve o ânus queimado com um isqueiro, prestou depoimento à Polícia Civil (PC) e afirmou que a tortura durou quase três dias e iniciou porque ela tentou ver o celular do companheiro. Abalada, a mulher disse, em depoimento, que foi forçada, pelo companheiro, a beber a própria urina e que o homem urinou nas costas dela que estava ferida com queimaduras, provocadas com um garfo, segundo informou a delegada titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra e Mulher (DECCM), Débora Mafra, que investiga o crime. A PC procura pelo homem com quem a vítima mantém um relacionamento há quatro anos.

Conforme o depoimento, o homem feriu as costas da mulher com o garfo, jogou álcool no local e urinou nas costas dela  (Foto: Eraldo Lopes)

Segundo a delegada, a vítima contou, em depoimento, que a tortura iniciou às 8h de sexta-feira (24) e terminou quando a mulher foi socorrida por tios do companheiro dela na noite de segunda-feira (27). A mulher teve os cabelos cortados com uma faca, foi ferida e queimada com um garfo quente e teve, também, seios, ânus, pés e braços queimados com um isqueiro. Tudo aconteceu na casa onde o casal mora com os pais do homem, no bairro Compensa, zona oeste de Manaus. Os pais dele viajaram e as agressões iniciaram.

Em depoimento à PC, segundo a delegada, a mulher afirmou que foi mantida dentro de um quarto. No período de quase três dias, segundo a delegada, a mulher afirmou que o companheiro dela a forçou a urinar em um recipiente e a beber a própria urina. Conforme o depoimento, o homem feriu as costas da mulher com o garfo, jogou álcool no local e urinou nas costas dela.

À PC, segundo Débora, a mulher afirmou que foi espancada com socos e tapas pelo companheiro e que o homem não a alimentava. Ela só comia as migalhas da refeição dele. De acordo com a delegada, a mulher afirmou que foi salva pela visita de tios do companheiro que foram até a casa e procuraram pela vítima.

Na casa, segundo a mulher afirmou em depoimento, os tios perguntaram por ela e foram impedidos, pelo homem, de se aproximar do quarto da moradia. Um tio e o companheiro dela se agrediram fisicamente e conseguiram entrar no quarto. “Encontraram a moça enrolada em um lençol, quase desfalecendo. A família do autor que a salvou. A vítima contou todos os requintes de crueldade”, disse a delegada da DECCM.

De acordo com Débora, em depoimento, a mulher contou que o motivo para toda a tortura foi a vítima ter tentado olhar o celular dele. “É o que ela diz em depoimento”, afirmou a delegada, acrescentando que tanto a mulher como o homem são usuários de droga.

A delegada acrescentou que, segundo a vítima, o relacionamento de quatro anos do casal era abusivo e ele a ofendia. Anteriormente, segundo a delegada, ele já tinha cortado o cabelo dela com faca, mas a mulher não tinha denunciado as agressões à polícia. “Ela (vítima) nunca quis fazer nada sobre o assunto. Era um relacionamento abusivo”, disse Débora.

Segundo a titular da DECCM, o suspeito do crime nunca foi preso e está sendo procurado pela polícia. Ele foi indiciado por injúria, ameaça, tortura e cárcere privado. A DECCM emitiu uma medida protetiva para a vítima.

Mesmo para uma delegada que está acostumada a lidar com crimes de violência contra a mulher, a titular da DECCM afirmou que o crime é “chocante” e precisa ter visibilidade com o intuito de alertar outras mulheres que também possam estar passando por situações semelhantes. “Enquanto falamos desse caso, quantos outros semelhantes não estão acontecendo? A vítima está horrível tanto físico como psicologicamente”, disse Débora ao mencionar a necessidade de mulheres denunciarem as violências. Denúncias podem ser feitas pelos números 3236-7012, 99962-2511 ou 181.

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